ANM entrega menção honrosa a médica que descobriu relação entre zika e microcefalia

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Publicado em 08/12/2016

Foi em setembro de 2015 que a médica Adriana Melo começou a observar o aumento de casos estranhos de má formação do sistema nervoso central na maternidade pública de Campina Grande, na Paraíba, onde trabalha. Imagens de ultrassom de algumas grávidas mostravam alterações no cérebro dos bebês, calcificações e nenhum crescimento.

Adriana comparou com os casos de Pernambuco, com o aumento da Síndrome de Guillain-Barré e começou a notar a relação com a zika. "Eu pensei: 'esse vírus gosta de sistema nervoso'", contou, durante o Simpósio Internacional sobre Zika, realizado em novembro pela Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), Academia Nacional de Medicina (ANM) e Academia Brasileira de Ciências (ABC).


Adriana Melo recebe menção honrosa das mãos do Membro Emérito da ANM Sergio Novis

Adriana Melo foi quem descreveu pela primeira vez a relação entre o vírus da zika e o desenvolvimento de malformações cerebrais. "Hoje fica fácil falar sobre zika porque todo mundo tem consciência do vírus, mas foi uma angústia convencer as pessoas", diz a médica, que levou quase dois meses para que conseguisse fazer com que ouvissem sua suposição.

"A Secretaria Estadual de Saúde chegou a dizer que os casos de Pernambuco eram de rubéola, não de zika. Eu não me conformava em ver uma doença na minha área com a qual não pudesse contribuir. Disseram que eu estava louca, mas nunca tive dúvidas de que era a zika que estava causando aquilo, pois o vírus era o que tínhamos de novo", destacou a pesquisadora.

Pela sua descoberta, Adriana Melo recebeu uma menção honrosa da Academia Nacional de Medicina, durante o simpósio. "Naquele momento, muita gente boa estava percebendo que tinha alguma coisa estranha. Meu mérito foi tentar achar o que estava acontecendo."

"Esse processo que ocorreu no Brasil merece o Prêmio Nobel de Medicina, foi algo extraordinário", afirmou, emocionado, o Acadêmico Wilson Savino, da Fiocruz, sobre a resposta rápida que a comunidade científica deu para o problema. "A medicina e a ciência brasileiras realmente fizeram algo único na história do país. Tanta gente envolvida, trabalhando com muita vontade." Ele comentou que o importante agora é a parte social: a assistência que deve ser dada às crianças e famílias afetadas pelas alterações neurológicas. 


(Clarice Cudischevitch para NABC)



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