Biologia estrutural e desenho de drogas contra o vírus zika

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Publicado em 24/11/2016



Professor titular do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IF-USP), o Acadêmico Glaucius Oliva coordena o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CIBFar/CEPID) da Fapesp. Lá ele lidera uma equipe de pesquisas com uma composição multidisciplinar de físicos, biólogos e químicos.

O foco do CibFAR é o estudo da biologia estrutural e química medicinal aplicado ao planejamento e desenvolvimento de novos fármacos, com particular ênfase em doenças infecciosas endêmicas brasileiras. Desde o início de 2016, o laboratório está envolvido num projeto multidisciplinar, com diferentes grupos trabalhando em rede. O objetivo é focalizar nas proteínas do vírus zika, entender suas estruturas tridimensionais e usar esse conhecimento para planejar, encontrar e/ou desenvolver moléculas que sejam potenciais novos fármacos antivirais.

Com seis meses de trabalho, Oliva conta que conseguiram os primeiros genes para uma das proteínas, justamente uma que é inédita. "Não havia descrição na literatura para a proteína NS5, uma RNA polimerase, envolvida na replicação do vírus quando ele invade a célula", relatou o pesquisador, em apresentação integrada ao Simpósio sobre Zika promovido em parceria pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Academia Nacional de Medicina (ANM) e a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Ele explicou que o zika é um vírus de fita simples: ele não tem DNA. "Ele tem RNA e, quando ele invade uma célula, esse RNA de fita simples é duplicado, depois de copiado para produzir uma proteína".

Entre essas proteínas está essa nova RNA polimerase (imagem ao lado), que aproveita o mesmo RNA para sintetizar outras cópias dela mesma. E é essa estrutura da RNA polimerase que foi elucidada pelo grupo de Oliva, por difração de raio X, depois de terem produzido a proteína e a purificado. "Foi um trabalho todo realizado aqui no Brasil - e que vai abrir agora uma grande perspectiva, porque passa a ser uma plataforma para o planejamento e desenvolvimento de novos fármacos", destacou o ex-presidente do Conselho Nacional e Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/2011-2015).


(Elisa Oswaldo-Cruz para NABC)



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