Comunidade científica deve se aproximar da sociedade, segundo Acadêmico João Jornada

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Publicado em 15/07/2016



Em 2015, na abertura da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, realizada na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, o vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) Ildeu de Castro Moreira defendeu que a população brasileira em geral tem uma compreensão madura sobre a ciência, porém a pesquisa não é uma atividade difundida socialmente, o que causa um distanciamento. "Temos que aprender a conversar com as pessoas sobre o que é ciência, não só mostrar as maravilhas desenvolvidas, mas mostrar que a ciência é uma construção coletiva e social."

Este ano, durante a 68ª Reunião Anual da SBPC, Ildeu foi responsável por introduzir a palestra "O Valor Social da Ciência", do Acadêmico João Alziro Herz da Jornada, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Na apresentação, Jornada criticou a postura da comunidade científica de restringir o discurso da importância da ciência ao meio acadêmico, criando um distanciamento entre os pesquisadores e os políticos, empresários e a sociedade em geral. "Não podemos nos isolar, criar um ambiente de nós contra eles", afirma Jornada. "Somos todos parte disso. A ciência pauta a sociedade e é pautada por ela."

Recordando seus anos à frente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), quando Jornada foi responsável por trazer a pesquisa científica para dentro do órgão federal, o físico lembrou de quando ia ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) falar sobre a necessidade da ciência dentro do instituto. "O Inmetro não tinha parte de pesquisa e eu precisava explicar a importância disso no ministério. Era um exercício muito interessante e muito humano", contou.

"Não podemos ter uma opinião simplória, dizer que a culpa da falta de investimento é da indústria, que é burra", afirmou o pesquisador. "A indústria pode ter sua parcela de responsabilidade, mas isso também se deve a aspectos sociais e culturais. A indústria brasileira não tem incentivos para investir em pesquisa", assinalou.

Citando o exemplo americano, Jornada lembra que entre as décadas de 1950 para 1960, o investimento americano cresceu por conta da pesquisa espacial. "A população viu a importância da ciência. Tornou-se uma coisa próxima". Na década de 1980 o investimento em pesquisa no país continuou crescendo, a partir de então puxado pela saúde, que hoje representa US$ 40 bilhões em um total de US$ 70 bilhões. "Um trabalhador não se interessa por um paper publicado, ele vai se interessar pela ciência se ele souber que aquilo gerou empregos, gerou uma saúde melhor, um meio ambiente melhor", disse Jornada.

(Samil Chalupe para NABC)



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