Ciência brasileira perde primatólogo e Acadêmico Adelmar Coimbra-Filho

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Publicado em 29/06/2016


Morreu, na tarde de ontem (27), o primatólogo Adelmar Coimbra Filho, aos 92 anos. Membro da Academia Brasileira de Ciências, foi um dos principais conservacionistas do país e uma das vozes mais eloquentes contra a extinção do mico-leão-dourado, além de idealizar o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ), criado em 1975. Adelmar foi fundador e diretor do Centro até 1994, quando se aposentou.

Cearense crescido em Pernambuco e radicado no Rio de Janeiro, Adelmar era um apaixonado pela Mata Atlântica. Com carreira acadêmica sólida, publicou mais de 200 trabalhos científicos. A importância de seu trabalho foi reconhecida por colegas, que o homenagearam dando seu nome a espécies de macaco (Callicebus coimbrai), de percevejo (Taedia coimbrai), de uma bromélia (Neoregelia coimbraii) e de um fóssil macaco (Cartelles coimbrafilhoi).

Sobre ele, a ambientalista Maria Tereza Jorge Pádua enviou a O Eco o seguinte depoimento:

O Brasil perdeu seu grande primatólogo e conservacionista Adelmar Coimbra Filho. Dentre os inúmeros feitos inéditos de Adelmar, repercutirá para sempre o redescobrimento de uma espécie de mico-leão, o de cara preta Leontopithecus chrysopygus, que, em 1975, já era considerada extinta havia 50 anos. Por causa desta redescoberta, a inundação da hidroelétrica de Rosana em São Paulo, onde vive este mico-leão, foi a mais cuidadosa até hoje feita no pais. Adelmar também começou a criação e reintrodução das três espécies de micos-leões então descritas no país (hoje há uma quarta), em conjunto com nossa querida Lou Ann Dietz e, mais tarde, com Claudio Padua.

Ninguém conhecia tanto de nossa fauna silvestre como ele. Pela modéstia, evitava a mídia, detestava viajar e não aceitava convites para jantares ou coquetéis. Foi também um exemplo de vida honesta, junto com sua maravilhosa Jaqueline e filhos.

Tive a chance de conhecê-lo bem. Escrevemos um livro juntos em 1979. Meu Deus, vocês não sabem o como era minucioso e sério. Foi um trabalho exaustivo. Ele publicou centenas de trabalhos científicos, alguns em coautoria com Ibsen de Gusmão Câmara.

Homens como Adelmar mantêm vivas as esperanças no futuro da conservação da Natureza no Brasil. Um saudoso até breve meu querido amigo, grande cientista e, além de tudo, pintor também.

(O Eco)



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