ANM chama a atenção para epidemia de febre amarela na África

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Publicado em 31/05/2016


Mosquito Aedes aegypti também é transmissor da febre amarela

Em rápida comunicação durante a Sessão Plenária do dia 19 de maio, na Academia Nacional de Medicina (ANM), o Acadêmico e Infectologista Celso Ramos Filho fez breve relato de reunião de emergência realizada pela Organização Mundial de Saúde em relação à febre amarela na África e possibilidade de transmissão para outros países, incluindo o Brasil.

Existe uma epidemia de Febre Amarela transmitida por Aedes aegypti desde dezembro de 2015 em Angola, com 2.560 casos suspeitos/confirmados, tendo sido confirmadas 293 mortes até o dia 12 de maio de 2016.

Foram detectados casos de Febre Amarela em 14 de 18 províncias, sendo a capital Luanda o foco principal da doença com 70% dos casos. Existe transmissão local da doença em 7 províncias.

Foram detectados 44 casos na República Democrática do Congo (antigo Zaire / Congo Belga), que faz fronteira com Angola. Foram também detectados 2 casos no Quênia. 

Existe uma epidemia independente em Uganda com 58 casos confirmados.

Na China já foram diagnosticados 11 casos de Febre Amarela importada de Angola.

Com respeito à vacinação contra Febre Amarela, a informação é que:

Foram enviadas 11,700 milhões de doses Angola

Existe previsão de vacinar 2,2 milhões de pessoas na República Democrática do Congo

Em Uganda a previsão de vacinar "pelo menos" 300 mil pessoas (mais de 600 mil pessoas estão sob risco). A informação recente é de que a vacinação será gratuita, embora houvesse previsão de cobrança, anteriormente.

A reunião de um Comitê de Emergência, de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional,realizada pela OMS em 19 de maio apresentou às seguintes conclusões:

 O Comitê não julgou necessário declarar a situação em Angola como uma Emergência Sanitária de Interesse Internacional.

 Julgou necessário assegurar que todas as pessoas viajando para Angola ou República Democrática do Congo, ou de lá advindas, sejam obrigatoriamente vacinadas contra Febre Amarela.

 Face à escassez de vacinas, recomendar que se abandone a prática de reforços vacinais a cada 10 anos (seja feita dose única).

Situação no Brasil:

 Até o presente, o Brasil não exige apresentação do Atestado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela por viajantes oriundos destas áreas.

 Há sete voos semanais entre Luanda e Rio de Janeiro e São Paulo. Potencialmente, 8.400 pessoas ao mês - ou cerca de 50.000 viajantes desde o começo da epidemia em Luanda.

 No começo de fevereiro, o Presidente da ANVISA foi alertado a iniciar a exigência para viajantes oriundos de Angola.

Deve-se ainda lembra aos médicos e à população que a Febre Amarela tem um curto período de incubação (3 - 6 dias) e como ocorre com dengue e zika, a maioria das infecções é assintomática. As formas leves da doença se manifestam por febre, cefaleia e dores musculares, quadro clinicamente indistinguível de outras viroses - como dengue, chikungunya e zika. As formas graves se distinguem pela ocorrência de hemorragias, icterícia e insuficiência renal, e têm uma letalidade que atinge 50%. 

A Febre Amarela não pode ser negligenciada. As cidades do Rio de Janeiro e São Paulo não são áreas endêmicas de Febre Amarela. Assim, a vacinação não faz parte do calendário vacinal nas duas capitais: as suas populações são em grande parte não-imunes contra o vírus.

(Jornal do Brasil - Ciência e Tecnologia - 27/05/2016)



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