Palestra de Prêmio Nobel Takaaki Kajita abre Reunião Magna 2016

  • Compartilhe:

Publicado em 20/05/2016


A primeira palestra apresentada na Reunião Magna 2016, no Museu do Amanhã, em comemoração ao centenário da Academia Brasileira de Ciências (ABC), foi a do ganhador do Prêmio Nobel de Física Takaaki Kajita, laureado em 2015 pela comprovação de que os neutrinos possuem massa.

Neutrinos são partículas subatômicas, ou seja, de tamanho inferior ao de um átomo e que não fazem parte da sua composição, diferente dos prótons, elétrons e nêutrons, mas que ainda assim interagem com a matéria por meios das interações "fracas" e "gravitacionais". Também existem interações "fortes" e "eletromagnéticas". Os neutrinos podem ser de três tipos, ou "sabores", no jargão da física: elétron, muon e tau. Essas partículas surgem de diversas maneiras. Uma delas é a partir da colisão de raios cósmicos com átomos presentes na atmosfera terrestre, como os de hidrogênio e oxigênio. Os neutrinos não possuem carga elétrica e até cerca de quarenta anos atrás, acreditava-se que também não possuíam massa.

Em 1983, no Japão, um grupo de cientistas, do qual fazia parte Takaaki Kajita, liderados por Masatoshi Koshiba, vencedor do Prêmio Nobel de Física em 2002, orientaram a construção do Kamiokande, observatório de neutrinos, em Kamioka, no Japão.

Ao reproduzir o surgimento de neutrinos na atmosfera, dentro do observatório, os pesquisadores notaram que as partículas de sabor muon surgiam em quantidade menor do que o estimado nos cálculos. "Éramos incapazes de decifrar o porquê dessa variação, mas posteriormente isso seria explicado pela oscilação dos neutrinos", disse Kajita.

A teoria foi predita pelos pesquisadores japoneses S. Sakata, Z. Maki, M. Nakagawa e pelo físico italiano Bruno Pontecorvo e propunha que os neutrinos podem mudar de tipo durante sua propagação. Mas, para que isso fosse verdade, os neutrinos teriam que possuir massa, pois, segundo a teoria, quanto menor fosse a massa do neutrino, maior seria seu tempo de propagação e, assim, de oscilação.

Para comprovar esta tese, foi construído o Super Kamiokande, ou Super K, de proporções maiores do que o primeiro observatório, para que os neutrinos tivessem espaço para oscilar. A estrutura de 40m de altura por 40m de diâmetro foi construída a 1 km de profundidade em 1995 e em 1998 foi comprovada a oscilação dos neutrinos. Desde lá se seguiram vários estudos acerca desta partícula, culminando em 2015 na comprovação, pelo professor Kajita, da massa destas partículas, de proporções próximas a 1/10 milhões de vezes a massa de um elétron.

"Nós acreditamos que os neutrinos são a chave da natureza para compreender as coisas pequenas e grandes do universo", diz Kajita, lembrando uma questão essencial, ainda aberta, para compreender a origem e o sentido do universo: por que há mais matéria do que antimatéria no universo, se ambas, supostamente, foram criadas em iguais quantidades no Big Bang?

Para prosseguir com as pesquisas, está em processo de construção o Hyper Kamiokande, que terá 60m de altura por 74m de diâmetro, mas ainda não tem data para ficar pronto. O objetivo é descobrir a massa de uma terceira geração de neutrinos. "Quando olhamos para o céu, sabemos que o universo está repleto de antimatéria, mas só temos contato com a matéria. Acreditamos que os neutrinos de menor massa serão a chave para essa questão", finaliza o cientista.


(Samil Chalupe para NABC / Foto: Madiano Marcheti)



Cadastre-se para receber
as Notícias da ABC:



Arquivo de notícias


 

Notícias anteriores TESTE


webTexto é um sistema online da Calepino