Posse dos novos Acadêmicos em 2001

Saudação aos Acadêmicos, pelo Acadêmico Carlos José Pereira de Lucena

2/05/2009

Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2001
Academia Brasileira de Ciências
Acadêmico Carlos José Pereira de Lucena
28 de maio de 2001

É uma grande honra para um acadêmico receber a incumbência de fazer o discurso de boas vindas para os seus novos colegas. Tornar-se um membro da Academia Brasileira de Ciências significa ter tido a relevância da sua carreira científica avaliada e reconhecida pelos seus pares e ter sido co-optado para as tarefas de promover e defender a ciência no nosso país. Participar do processo de promoção da ciência é prazeroso convencidos que somos do papel da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento econômico, social e cultural das sociedades. A defesa do desenvolvimento científico é tarefa muito mais complexa no nosso país. Paradoxalmente existe uma defasagem crônica entre as intenções e as ações concretas em ciência e tecnologia. Quase como uma regra geral, os gestores de ciência e tecnologia responsáveis por implementar ações de apoio à sua área esbarram em severas restrições provenientes da área econômica. É o dilema da sobrevivência no curto prazo versus a sensibilidade para o investimento em uma área estratégica.

Os novos acadêmicos chegam a esta casa em um momento favorável no plano interno e promissor no plano externo. Internamente, na Academia, o leque de áreas do conhecimento cobertos pela instituição foi ampliado com a criação de novas seções como as da Ciências da Engenharia e Ciências Sociais, aumentando ainda mais a convivência interdisciplinar característica da instituição. No plano externo, comemoramos os 50 anos do CNPq que significam 50 anos da institucionalização do fomento à pesquisa no país. Acompanhamos este ano o lançamento de programas como o dos Institutos do Milênio e dos Fundos Setoriais para pesquisa e desenvolvimento. Estamos diante de modelos conceituais para o fomento à ciência e à tecnologia que podem fazer uma grande diferença positiva para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. Na posição de defensores da ciência e da tecnologia no país, os novos acadêmicos juntam-se a nós para exigir que os programas anunciados não se transformem em expectativas frustradas.

Ingressamos em um século no qual o desempenho em ciência e tecnologia medirá o sucesso ou o fracasso das sociedades. Desejo sinceramente aos novos acadêmicos que suas energias possam ser usadas muito mais para a promoção do que para a defesa da ciência e da tecnologia no Brasil.

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