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  Declaração Conjunta das Academias sobre Sustentabilidade e Segurança Energéticas

14 de junho de 2006



Um amplo consenso internacional reconhece três componentes principais e inter-relacionados relativos ao desenvolvimento sustentável: a prosperidade econômica , o desenvolvimento social e a proteção ambiental. O suprimento sustentável e confiável de energia é uma das principais condições para atingir três objetivos para todos os países do mundo: se a sustentabilidade e a segurança energética falharem, os objetivos principais do desenvolvimento humano não serão atingidos.

No ano passado as Academias de Ciência abordaram os grandes desafios das mudanças globais. Esses desafios estão predominantemente relacionados aos sistemas e uso da energia. Portanto consideramos benvindas a oportunidade de abordar a sustentabilidade e a segurança energéticas, por ocasião da Conferência de Cúpula do G8, e esperamos continuar a focalizar essas questões críticas nos anos vindouros. O InterAcademy Council, estabelecido pelas Academias do mundo está atualmente engajado num exame profundo dos desafios da transição da tecnologia da energia a ser concluído em um ano.


Problemas e desafios da Sustentabilidade e Segurança Energéticas

Tornou-se crescentemente claro que existem várias dificuldades sérias relacionadas à sustentabilidade e segurança energéticas. Essas incluem:

  • Significativos impactos globais e regionais sobre o ambiente, sobre as mudanças climáticas e sobre a saúde baseada na extrapolação do uso das atuais fontes e sistemas de energia;
  • Uma clara percepção de que a demanda por fontes de energia limpa e de custo razoável crescerá progressivamente, requerendo investimentos para criar um eficiente sistema de suprimento de energia;
  • Tensões, especialmente no suprimento de energia para os sistemas de transporte;
  • Correlações geográficas progressivamente piores entre fontes e usuários de energia;
  • Uso ineficiente e desperdício de recursos energéticos;
  • Aumento acelerado e flutuação nos preços do gás e do petróleo;
  • Provimento de combustíveis e eletricidade para uma parcela significativa da população mundial para ajuda-la a melhorar sua qualidade de vida;
  • Impactos dos desastres naturais, colapso de sistemas e atos humanos na infra-estrutura energética.



Enfrentando os Desafios da Sustentabilidade e da Segurança Energéticas

Encontrar soluções para a sustentabilidade e segurança energéticas exigirá muitas vigorosas ações a nível nacional e considerável cooperação internacional. Essas ações e medidas cooperativas necessitarão ser baseadas em apoio público de amplo espectro, especialmente na exploração de caminhos em direção ao uso eficiente de energia. Em segundo lugar, será necessário desenvolver e disponibilizar novas fontes e sistemas para o suprimento de energia, incluindo o uso limpo de carvão e de recursos fósseis não convencionais,sistemas nucleares avançados e energia renovável. A diversificação de combustíveis para motores, o uso crescente de tecnologias de baixa emissão no transporte pessoal e maior ênfase na oferta de transporte urbano de massa poderia introduzir a tão necessária flexibilidade e economia num mundo com ápida urbanização crescente.

As mudanças necessárias e as transições nos sistemas de energia e seus paradigmas não serão possíveis sem atingir muitos objetivos desafiadores no campo científico, técnico e econômico e irão requerer o investimento de uma enorme soma de recursos de maneira sustentada ao longo de décadas. Elas irão igualmente exigir uma grande abertura e transferência de conhecimento,tecnologia e capital.

Atingir um nível aceitável de sustentabilidade e segurança energéticas a nível global demandará, portanto, o foco governamental e a cooperação internacional no sentido de identificar prioridades estratégicas nas políticas de energia e a implementação sustentada das políticas, ações e investimentos nacionais. Será igualmente crítico envolver o púbico e as lideranças industriais para que estabeleçam e atinjam as prioridades chave, se quisermos coletivamente lidar com as ameaças à sustentabilidade e segurança energéticas a tempo de evitar enormes danos econômicos, ambientais e políticos.

As estratégias prioritárias comuns deverão incluir:

  • Promoção da eficiência energética, incluindo a melhoria da eficiência energética e da efetividade econômica dos sistemas de energia de forma holística;
  • A diversificação da oferta e da demanda de energia, tais como uma variedade de energias , fontes, mercados,vias de transporte e meios de transporte reduzem a vulnerabilidade relacionada com um único ou predominante sistema ou fonte de energia;
  • Desenvolvimento de infra-estrutura global de energia com atenção à sua capacidade de recuperação;
  • Promoção de sistemas e fontes de energia limpas e de custo apropriado, incluindo tecnologias nucleares avançadas e sistemas renováveis;
  • Descentralização da produção de energia através do desenvolvimento de recursos e sistemas energéticos locais;
  • Promoção de instrumentos econômicos de alto custo-benefício que possam ajudar a reduzir a emissão de gases de efeito estufa;
  • Levar em consideração as necessidades humanas urgentes de aproximadamente um terço da população mundial que não tem acesso a energias modernas.



Inovação, Pesquisa, Desenvolvimento e Distribuição

Reconhecemos a especial responsabilidade da comunidade de ciência e da engenharia em ajudar a implementar as transições para sistemas de energia sustentáveis e seguros. Demos especial atenção às áreas nas quais a cooperação internacional, pesquisas e desenvolvimento substanciais e inovação serão críticos. Importantes exemplos de tais áreas são:

  • Eficiência energética para construções, implementos, motores, sistemas de transporte e no próprio setor energético, que tem capacidade para impulsionar a eficiência energética;
  • Uso de análise de sistemas pra encontrar estratégias eficientes para várias condições;
  • Sistemas limpos, de uso de carvão incluindo o potencial para seqüestro de CO2 ;
  • Sistemas nucleares avançados, que levem em consideração os problemas de segurança, resíduos radioativos e não-proliferação;
  • Controle de poluição;
  • Combustíveis fósseis não convencionais e a proteção ambiental relacionada;
  • Produção de biomassa e conversão de gás em líquidos;
  • Fontes renováveis de energia para o longo prazo, tais como geotérmica, eólica,de marés e solar e tecnologias de armazenamento de energia;
  • Pequenos sistemas descentralizados dirigidas para atender às necessidades dos pobres e sistemas rurais e isolados e exame da maior aplicabilidade desses sistemas.



Conclusões

Conclamamos todos os países do mundo a cooperar em identificar prioridades estratégicas para sistemas de energia seguros e sustentáveis e a implementar ações em direção a essas prioridades.

Os países do G8 detém uma responsabilidade especial pelo seu alto nível de consumo de energia e devem desempenhar um papel de liderança em assegurar a sustentabilidade e segurança energéticas.

Conclamamos os lideres mundiais , especialmente aqueles que se reunirão na Cúpula do G8 em julho de 2006 a :

  • Articular a realidade e urgência das preocupações com a segurança energética global;
  • Planejar investimentos maciços em infra-estrutura e a estabelecer prazos necessários para a transição para sistemas sustentáveis de energia limpa, a custos aceitáveis e sustentáveis;
  • Intensificar a cooperação com os países em desenvolvimento a fim de desenvolver sua capacidade doméstica para usar sistemas energéticos existentes e inovadores, incluindo a transferência de tecnologia;
  • Promover, através de políticas e instrumentos econômicos adequados o desenvolvimento e a implementação de tecnologias de combustíveis fósseis, nucleares e renováveis a custos competitivos, ambientalmente benéficas e aceitáveis pelo mercado;
  • Assegurar , em cooperação com a indústria, que tecnologias sejam desenvolvidas e implementadas e que ações sejam tomadas para proteger a infra-estrutura energética, de desastres naturais, falhas tecnológicas e ações humanas;
  • Enfrentar a séria inadequação do financiamento em P&D e prover incentivos para acelerar P&D avançados relacionados à energia, também em cooperação com companhias privadas;
  • Implementar programas de educação para aumentar a compreensão do publico sobre os desafios energéticos e prover capacitação e competência na engenharia relacionada.
  • Focalizar os esforços governamentais em pesquisa e tecnologia em eficiência energética, hidrocarbonetos não convencionais e carvão “limpo” com seqüestro de CO2 , energia nuclear inovadora, sistemas de distribuição de potência, fontes renováveis de energia, produção de biomassa e conversão de biomassa em gás para combustíveis.



Signatários

Academia Brasileira de Ciências
Royal Society of Canada Chinese Academy of Sciences
Academie des Sciences, France
Deutche Akademie der Naturforscher Leopoldina, Ger.
Accademia Nazionale dei Lincei, It.
Science Council of Japan, Japan
Russia Academy of Sciences, Russia
Academy of Science of South Africa, South Africa
Royal Society, United Kingdom
National Academy of Sciences, USA