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| Posse dos novos Acadêmicos em 2008 | ||
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| Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2008 - Discurso do Presidente da ABC - Senhores Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado Rezende; deputado Alexandre Cardoso, secretário de C&T do Estado do Rio de Janeiro; Luiz Antonio Rodrigues Elias, secretário executivo do MCT; Marco Antônio Zago, presidente do CNPq; Luis Fernandes, presidente da Finep; Jorge Guimarães, presidente da Capes; Lucia Carvalho Pinto de Melo, presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE); Marco Antonio Raupp, presidente da SBPC; Américo Fialdini Júnior, presidente da Fundação Conrado Wessel: É com grande satisfação e orgulho que a Academia Brasileira de Ciências (ABC) acolheu a sugestão do ministro Sérgio Rezende, do colega Marco Antonio Zago e do Dr. Américo Fialdini de ter anualmente em sua Sessão Solene de posse dos seus novos Membros a outorga do Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia Almirante Álvaro Alberto. Trata-se de uma feliz coincidência histórica, pois como salientou Zago, o Almirante Álvaro Alberto foi o primeiro presidente do CNPq, quando era também presidente da ABC. Mais ainda, foi iniciativa da Diretoria da ABC a proposta feita ao Governo Federal em 1947 de criação do CNPq. Após alguns anos, em 1951, a idéia germinou, agora com o aporte do grande cientista brasileiro César Lattes. Assim, o Prêmio de maior destaque outorgado pelo CNPq passa a fazer parte de um momento especial de nossa Reunião Magna Anual, aumentando nossos laços com o MCT, o CNPq e a Fundação Conrado Wessel. Há cerca de um ano, durante a Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências de 2007, juntamente com meus colegas de Diretoria, recém empossados, Hernán Chaimovich, Ivan Izquierdo, Luiz Davidovich, Evando Mirra, Jerson Lima e Marco Antonio Zago, reafirmávamos o nosso compromisso com os grandes objetivos desta quase centenária instituição, que há tanto respeitamos e coletivamente estimamos. São eles: · Reconhecer o mérito dos nossos maiores talentos científico-tecnológicos e, com a participação de todos os Membros de nossa Casa, a eles elegermos para os nossos quadros. · Contribuir de maneira fundamental para a promoção da nossa Ciência em benefício da nossa Sociedade, freqüentemente em parceria com os Governos Federal e Estadual, e com a iniciativa privada, como é o caso presente. · E também contribuir de maneira fundamental para uma marcante presença do Brasil em um cenário internacional, em nossa área de atuação. Claramente, estes três objetivos se entrelaçam e têm por base uma alta competência de nossos cientistas desde Carlos Chagas, quadro maior da Ciência, e Oswaldo Cruz ou, indo mais longe, Joaquim Gomes de Souza, o Souzinha, matemático, astrônomo, filósofo, antólogo, e mais longe ainda, José Bonifácio, químico e metalúrgico, e Patriarca da Independência ou mais próximo de nossos dias, César Lattes. Mas nossa Diretoria tinha também novos planos para a ABC que julgávamos, e ainda o fazemos, de primeira importância. O primeiro deles era o de promover vigorosamente a disseminação das atividades da Academia por todas as regiões do pís. Assim o fizemos, de fato, ainda sem alterar os Estatutos, estabelecendo em nossa primeira reunião de Diretoria seis Vice-Presidências Regionais : Norte, Nordeste, Sul, Minas Gerais e Centro Oeste, São Paulo e Rio de Janeiro. É uma alegria termos conosco, compartilhando as ações da Diretoria, os vice-presidentes regionais Adalberto Val, Cid Bartolomeu, Francisco Salzano, Francisco César de Sá Barreto, Adolpho Melfi e Elisa Reis. Mantivemos ao mesmo tempo os Escritórios da ABC em alguns Estados, trabalhando em sintonia com as Vice-Presidências Regionais. Mantivemos ainda o nosso Conselho Consultivo com colegas das diversas regiões do país que conosco discutem anualmente as diretrizes da ABC e os rumos a tomar para alcançá-las. Ele fora criado na excelente gestão de nosso antecessor Eduardo Moacyr Krieger. Temos agora um amplo, e, ao mesmo tempo, muito ativo e eficiente corpo diretivo e consultivo para a nossa Academia. Não podemos esquecer o papel de primeira relevância que tem nossa tradicional Comissão de Seleção, em muito contribuir para bem organizar a eleição, em duas etapas, de nossos novos colegas da ABC por seus atuais Membros, como os que hoje tomam posse. Retornando às Vice-Presidências Regionais, uma de suas tarefas primordiais é o da seleção pelos Membros de cada Região de até cinco jovens cientistas de grande talento como Membros Afiliados da ABC, por um período de cinco anos não-renováveis. Já em 2007, trinta Membros Afiliados foram escolhidos e um número semelhante está sendo selecionado em 2008. Eles participam não só das atividades regionais da ABC mas também daquelas de caráter nacional, como é o exemplo de nossas Reuniões Magnas Anuais, como esta, e também das Conferências da ABC no início de dezembro de cada ano sobre “Avanços e Perspectivas da Ciência no Brasil e América Latina”. Temos recebido comentários muito positivos, e até mesmo entusiasmados, sobre o estabelecimento das Vice-Presidências Regionais e de termos ainda mais aproximado nossa Casa dos jovens cientistas de talento de toda a nação, com a criação de Membros Afiliados à ABC. Com tal receptividade, cabe-nos agora propor uma alteração de Estatuto que formalize essas iniciativas. Para tanto precisamos do apoio de todos os nossos Membros, pois é necessário que a grande maioria se pronuncie a favor das alterações. Nelas incluiremos outro item de nossa plataforma de eleição, o de considerarmos elegíveis como Membros da ABC, cientistas de alto calibre em nossas áreas de atuação, que residam e desenvolvam suas atividades no Brasil há pelo menos 12 anos consecutivos mesmo que não possuam a nacionalidade brasileira. Isto é, a ABC passa a ser responsável pela concessão de “passaportes” que reflitam o alto mérito científico dos trabalhos de colegas aqui residentes há muito tempo e sua contribuição à nossa Sociedade. Outra frente de atividades que estamos promovendo com ênfase é a dos grupos de estudos sobre temas de grande relevo para o país: Amazônia - Uma Nova Visão para o Desenvolvimento de C&T; O Ensino de Ciências e Educação Básica, já concluído; Aprendizagem Infantil; Mudanças Climáticas; Estado da Arte no Brasil; Recursos Hídricos no Brasil: Desafios Estratégicos; Doenças Negligenciadas e outros que se seguirão como, por exemplo, Ensino Superior: Desafios e Estratégias. Temos muito cooperado com o Ministério da Ciência e Tecnologia e suas agências CNPq e Finep, participando em seus principais Conselhos e em diversas ações de caráter nacional e internacional, como em nossa parceria no importante programa de difusão de Ciência e na cooperação Indo-Brasileira em C&T e deles recebendo substancial apoio para nossas atividades em geral. Temos cooperado bastante também com o Ministério da Educação, em especial com a Capes, e vários outros Ministérios e órgãos do Governo Federal e Estaduais, principalmente a Secretaria de C&T do Estado do Rio de Janeiro, em especial as Fundações de Amparo à Pesquisa deste Estado e do Estado de São Paulo. Assinalo que nosso quadro de Membros Institucionais está em expansão, tendo agora ao lado da Petrobras também o BNDES, o Inmetro, e a Fundação Conrado Wessel. Dentro da nova conceituação de Membros Institucionais, o diretor do Inmetro João Jornada esta propondo a criação de um Grupo de Estudos da ABC em Biocombustiveis, o que já foi aprovado por nossa Diretoria. Ressalto que a ABC tem atuado, freqüentemente em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e as sociedades científicas junto ao Congresso Nacional, como no caso da Lei de Biossegurança e do Projeto de Lei que regulamenta o uso de animais em pesquisa científica, e junto ao Judiciário, como no caso específico do uso de células-tronco embrionárias congeladas. Muitos colegas têm atuado nestas importantes missões, mas quero destacar aqui o nome de Mayana Zatz como símbolo de tais ações. É importante que relembremos sempre de que a crescente presença da mulher na Ciência Brasileira, e em particular nesta Casa, e por seu próprio mérito, é questão prioritária. Assim, devemos estar atentos para que isto aconteça. Em particular, continuaremos com nossa parceria com a L’Oréal e Unesco na premiação com bolsas-grant para sete jovens pesquisadoras de talento das áreas de Biologia, Matemática, Física e Química. Ainda na questão de difusão de Ciência, temos por plano ampliar nossa atuação diretamente ou em parceria, como é o caso do conhecido Projeto Mão na Massa com a embaixada da França. Por sinal, com a nossa Vice-Presidência Regional de São Paulo, estamos comemorando com um Simpósio Científico, em julho próximo, em parceria com a SBPC, o centenário da presença japonesa dentre nós. Em 2009, celebraremos o Ano da França no Brasil. No cenário internacional, a presença de nossa Ciência é crescente com o aumento de nossa produção científica, em qualidade e a abrangência de temas. E no mesmo ritmo cresce a presença da ABC nos fóruns científicos internacionais. Ainda há pouco, no Japão, mais uma vez a participação brasileira foi marcante no grupo de Academias de Ciências G8+5, quando desta vez houve pronunciamentos sobre Mudanças Climáticas, Saúde Global e Desenvolvimento via C&T, sobretudo para os países menos privilegiados. Continuamos a abrigar na ABC as Secretarias Regionais para a América Latina e Caribe da Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS) e do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU), ambas extremamente ativas. Também o Escritório da Presidência da TWAS e Secretaria Executiva da Rede Inter-Americana de Ciências (IANAS), que é co-presidido por nosso colega Hernán Chaimovich, também vice-presidente do ICSU. Estamos ainda presentes na Rede de Academias de Ciências (IAP), no Conselho da Rede de Academias de Ciências (IAC) e no Fórum Internacional de Ciência e Tecnologia para a Sociedade (STS Fórum), que tem lugar anualmente em Kyoto. Em conclusão: muito estamos trabalhando para fazer crescer e avançar a Ciência no país e sua presença internacional. Para tal, contamos com um pequeno, mas muito competente corpo de assessores que aqui simbolizo na pessoa de Márcia Melo, a quem expressamos a gratidão da ABC. Mas, não nos esqueçamos, faz-se imperioso termos uma nova sede à altura de nossa comunidade científica e de nossa nação. Muito obrigado.
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