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| Posse dos novos Acadêmicos em 2004 | ||
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| Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2004 -Discurso em nome dos recém empossados - E, ao mesmo tempo, uma honra e uma satisfação poder agradecer, em nome dos novos acadêmicos eleitos na Assembléia Geral de 30 de janeiro de 2004, a grande distinção representada pelo nosso ingresso e posse na Academia Brasileira de Ciências, uma instituição cujo acervo de serviços prestados à ciência e ao nosso país cabe, uma vez mais, realçar nesta solenidade. A Academia tem a autoridade de ser e preservar, num “ lieu de mémoire ”, a função e o papel da ciência na vida nacional. Os novos membros titulares provém de diversas áreas: ciências físicas, químicas, da terra, biológicas, biomédicas, da saúde, agrárias, da engenharia, além das humanas. Atestam, pelos méritos que possuem nos seus respectivos campos, uma nota indispensável para o avanço do conhecimento no mundo contemporâneo, que a Academia reconhece e consagra na sua visão das coisas: a interdiscilinaridade . A Assembléia Geral de 30 de janeiro de 2004 também elegeu ilustres membros estrangeiros e a sua incorporação à Academia assinala a dimensão da universalidade do conhecimento, que também é parte da visão das coisas da nossa instituição. A palavra academia, como sabem, vem do grego pelo latim, era o jardim de Academo -herói ateniense -no qual Platão ensinava. Daí a acepção de sociedade ou congregação com caráter científico, literário ou artístico, como registra o dicionário de Houaiss, que exemplifica esta acepção na nossa língua mencionando a Academia Brasileira de Ciências. O congregar para o conhecer passa pelo convívio acadêmico - e uma das notáveis características da nossa Academia é a acepção ampla da convivência. Com efeito, num mundo como o de hoje, que opera através de redes, uma das importantes dimensões da atividade da Academia Brasileira de Ciências tem sido a construção de redes. Este é o significado do amplo leque de convênios para o intercâmbio científico, entre os quais lembro os celebrados com instituições congêneres do Japão, da França, da Inglaterra, da Índia, da China e não quero deixar de mencionar o trabalho que vem sendo feito para promover a interação com as instituições do Terceiro Mundo. Neste sentido, destaco a grande conferência, realizada em 1997, no Rio, da qual a Academia Brasileira de Ciências foi a anfitriã. Nesta ocasião, o tema em pauta foi o das contribuições da Ciência para o Desenvolvimento Sustentável na América Latina e no Caribe. Lembro o tema discutido naquela ocasião por duas razões. A primeira é de ordem geral. Diz respeito a uma linha de atuação da nossa Academia que me parece altamente meritória. Ela é dada por um permanente esforço de traduzir a atividade de congregar cientistas para ampliar o conhecimento através da interação, numa utilidade mais ampla, voltada para a prestação de serviços à comunidade. Com efeito, no rol das atividades da Academia Brasileira de Ciências, inclusive as de representação em organismos internacionais como o "International Council of Scientific Union"; o "World Climate Programme"; o "Inter American Panel on International Issues", assim como nos projetos que vem conduzindo, verifica-se o empenho de fazer do conhecimento um caminho para o progresso e a melhoria da condição humana - um valor das "luzes" da Ilustração, que na condição de membro integrante do campo das ciências humanas não posso deixar de registrar e aplaudir. A segunda razão é de ordem pessoal mas tem um alcance geral. N a pauta das atividades da Academia Brasileira de Ciências, um dos temas importantes é a interdisciplinar contribuição da ciência para o entendimento do desenvolvimento sustentável -da mudança ambiental global, das avaliações integradas, das fontes energéticas alternativas. Em 1992, por ocasião da Conferência do Rio sobre meio-ambiente e desenvolvimento, e em 2002, por ocasião da Conferência de Johanesburgo, que foi a conferência de avaliação da Eco-92, no exercício das responsabilidades de Ministro de Estado da Relações Exteriores, tive o privilégio de contar com a colaboração da Academia no processo de formulação das posições brasileiras. A contribuição da Academia foi da maior importância. Aproveito, assim, para reiterar os meus agradecimentos aos professores José Israel Vargas e Eduardo Moacyr Krieger, que atuaram pela nossa Instituição nestes dois momentos e que conduziram a interlocução com o governo com alto sentido das responsabilidades da ciência no trato deste tema global, que pressupõe a idéia reguladora kantiana de uma razão abrangente da humanidade. Destaco esta experiência porque ela é paradigmática da contribuição que a Academia vem dando aos governos democráticos do nosso país, que não podem prescindir de uma pluralista abertura à sociedade na gestão dos destinos nacionais. Permito-me, ao ir concluindo, lembrar, a propósito do tema da interdisciplinaridade e do relacionamento de quem vem da área de humanas com as outras áreas representadas na nossa Academia que, em 1989, chefiei a delegação brasileira e presidi a 10ª Sessão do Comitê Intergovernamental para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia da ONU. Essa Sessão tinha como objetivo avaliar a Conferência de Viena de 1979 que tratou do tema. A minha experiência de 1989 confirmou dois aspectos básicos da minha visão do mundo, hauridos na Universidade de São Paulo, na qual estudei e da qual sou professor desde 1971 e na minha vivência empresarial na Metal Leve, que sempre fez da pesquisa científica e do desenvolvimento tecnológico um ingrediente de sua identidade. São eles: (i) convicção de que o controle de uma sociedade sobre o seu próprio destino, no mundo contemporâneo, passa pela capacitação científica e tecnológica e (ii) que o processo de construção desta capacitação requer o vigor e a qualidade dos “ stock-holders " que a promovem e constroem. A Academia Brasileira de Ciências é, desde a sua origem, um dos grandes “ stock-holders " deste processo em nosso país. Por isso, integrá-la como membro é não só uma honra como também uma responsabilidade. Disso temos - os que hoje tomam posse -ciência e consciência, e é em nome de todos que agradeço as palavras do Prof. Umberto Giuseppe Cordani, que nos saudou nesta solenidade e que, na sua palavra e ação como professor da USP, se inspira no lema .” Scientia Vinces ”.
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