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| Posse dos novos Acadêmicos em 2001 | ||
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Academia
Brasileira de Ciências Duas
foram as vertentes complementares que nortearam a criação das
primeiras Academias de Ciências, a Royal Society em Londres e a
Academia de Ciências da França, em Paris, no século XVII, e que
influenciaram posteriormente a formação das demais. Congregar os
cientistas, otimizar as condições de trabalho, promover a Ciência
e premiar a excelência, enfim, a Ciência pela Ciência, foi desde
o início o papel mais visível das Academias. Outra missão
explicita foi servir ao país no campo da Ciência. Logo depois de
formada por Luís XIV, a Academia da França recebeu a clara incumbência
de travailler pour le benefice du public e la gloire du Roy.
Também, a National Academy of Science dos Estados Unidos recebeu no
decreto de Abraham Lincoln o mandato de servir a Nação,
aconselhando o governo e a sociedade em assuntos científicos. Nossa Academia, criada há 85 anos, teve sempre presente essa dupla responsabilidade. Na criação do conhecimento, no desenvolvimento científico, nossos acadêmicos vem desempenhando um papel relevante que muito contribuiu para dobrar a produção científica nacional nos últimos 15 anos, formar mais de 5.000 doutores por ano e obter o reconhecimento internacional da Ciência brasileira, ilustrado recentemente com os avanços da genômica e com a participação de membros desta Casa em entidades científicas internacionais das mais representativas. Os progressos na agricultura, saúde, biotecnologia, telecomunicações, exploração do petróleo, aeronáutica e tantos outros marcam a importância da aplicação do Conhecimento aqui produzido. Não se pode deixar de destacar, também, o papel essencial que a Ciência vem desempenhando no nosso país na melhoria da qualidade de educação em todos os níveis. Na Universidade e nos Institutos de Pesquisa, estamos empenhados em melhorar as condições de trabalho dos pesquisadores e lutamos para que sejam absorvidos os novos doutores que estamos formando em grande número, responsabilidade que deverá ser cada vez mais compartilhada com o setor produtivo. Estamos, portanto, participando ativamente na grande tarefa para expandir a base científica nacional, que é de boa qualidade mas ainda insuficiente para atender as necessidades nacionais e, simultaneamente, transformar o conhecimento em desenvolvimento para melhorar a qualidade de vida no país para todos os brasileiros. Na outra vertente, a que atribui responsabilidade pública às Academias no trato dos grandes temas de Ciência e Tecnologia que interessam ao país, temos respondido tanto às solicitações governamentais como assinalado por iniciativa própria estudos e caminhos possíveis. A característica atual da Ciência é a interdisciplinaridade e a nossa vocação maior é abordar temas que exigem enfoque multidisciplinar, possibilitando uma visão abrangente. Numerosos são os exemplos de contribuições que já fizemos em assuntos de Meio-Ambiente (Biodiversidade, Oceanos e Águas Doces), Saúde e Energia, entre outros. Destaque especial merece o estudo que levamos à Conferência organizada em Tóquio no ano passado pelas Academias de Ciências, documentando a contribuição Brasileira para enfrentar os desafios na transição para a sustentabilidade no século XXI: erradicar a fome e a pobreza, mitigar as alterações climáticas, a deterioração ambiental e a desigualdade econômica. A incorporação recente na nossa Academia das áreas das Engenharias, Humanas, Saúde e Agrárias foi de enorme importância também para permitir que os nossos estudos e análises contemplem a totalidade do saber, incluindo a indispensável dimensão humana que é inerente a qualquer tema abordado. A nossa responsabilidade tem crescido de importância quando cerca de oitenta Academias do mundo, integrantes do Inter-Academy Panel, presidido conjuntamente pelas Academias da França e do Brasil, iniciam uma série de estudos de caráter global com a preocupação de que a Ciência e os benefícios que dela se originam sejam compartilhados por toda a humanidade, e não só por aqueles que vivem nos países industrializados. Recentemente, o conjunto das Academias publicou um documento sobre os alimentos geneticamente modificados, divulgando os dados científicos existentes. Na semana passada, assinamos declaração reafirmando haver comprovação de que os gases que contribuem para o efeito estufa estão provocando alterações climáticas do nosso planeta e alertando sobre a necessidade de medida para reduzi-los. São contribuições essenciais para que a Sociedade e os Governos tomem decisões corretamente embasadas. Para a nossa Academia, é grato lembrar que uma das atividades públicas mais relevantes das que vimos exercendo é a de contribuir na organização do sistema de Ciência e Tecnologia nacional, hoje considerado um dos mais avançados dentre aqueles dos países em desenvolvimento. Participamos dos grandes momentos da criação do CNPq, da CAPES, da FINEP, do Ministério de Ciência e Tecnologia e do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia. Mais recentemente, apoiamos a iniciativa governamental de criar os fundos setoriais de apoio à Ciência e Tecnologia, que, pelo volume e perenidade dos recursos e a perspectiva de integrar a totalidade da cadeia do Conhecimento no setor, permitirão um notável salto de qualidade e figurarão como uma das maiores contribuições do Governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso para o desenvolvimento nacional. Reconhecemos que os problemas e necessidades são setoriais, mas os instrumentos, a competência e a cultura para utilizar o Conhecimento são comuns. É fundamental, portanto, a ação integradora do Centro de Gestão Estratégica para otimizar a utilização dos recursos, assegurando que todos os Fundos ao colaborarem para a eliminação de entraves tecnológicos dediquem-se, igualmente, à criação de nova ciência assegurando o desenvolvimento harmônico da cadeia de criação-aplicação-inovação, sem esquecer que a formação de pessoal qualificado é essencial para o funcionamento do sistema. Na pessoa do Ministro Ronaldo Sardenberg, queremos agradecer a interação profícua que mantemos com o Ministério de Ciência e Tecnologia e suas agências, o CNPq e a FINEP. Agradecer também a convocação recente para organizar juntamente com o Ministério a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que será realizada em setembro próximo, e cujo primeiro produto, o Livro Verde, estamos concluindo. Queremos agradecer ao Ministro de Cultura o ter possibilitado realizarmos a posse neste local, considerado um Monumento à Cultura. A cada um dos novos Acadêmicos, renovamos as boas-vindas dadas pelo Prof. Lucena. A cerimônia anual de posse é o grande rito de autoperpetuação da Academia. É, também, o cumprimento de nossa missão institucional: premiar o mérito, promover a excelência, e servir de referencial de qualidade à Ciência brasileira. Há uma tradição de 85 anos de trabalho, sério e digno, que compete a todos preservar, os novos e os antigos acadêmicos que vem desde Santos Dumont, Oswaldo Cruz, os Chagas – pai e filho, Schemberg, Rocha e Silva, Johanna Döbereiner, Pacheco Leão, para citar apenas alguns dos já falecidos, sendo eles exemplos do rigor da seleção e da excelência dos nossos quadros. Somos herdeiros, também, dos ideais dos antigos gregos do “Saber pelo Saber” e de Galileu e os homens da Renascença que nos legaram a experimentação e o método científico, que representam o mais poderoso instrumento de progresso criado pelo homem e que são responsáveis por termos entrado na nova era do Conhecimento. Senhor
Presidente do CNPq, Evando Mirra. Na solenidade de comemoração dos
50 anos do CNPq, em abril último em Brasília, dissemos que a história
da transformação da Ciência e Tecnologia neste meio século se
identifica com a própria história da agência e que reconhecer e
apregoar essa identidade é o tributo maior que a comunidade científica
nacional pode prestar ao CNPq. Também acentuamos que a ABC com seus
84 anos de existência vê com sentimento fraterno o Conselho
tornar-se cinqüentenário. Foi uma longa jornada que percorremos
juntos desde 1951, quando o Almirante Álvaro Alberto, então
Presidente da Academia, tornou-se o primeiro presidente do CNPq.
Certamente continuaremos irmanados na tarefa comum de promover a Ciência
e a Tecnologia no país e para selar esse compromisso, queremos
oferecer hoje uma placa comemorativa que tornará perene os nossos
sentimentos. A presença do Ministro Sardenberg, representando também o Presidente Fernando Henrique Cardoso nesta cerimônia, é uma grande honra para a Academia e se reveste de um significado especial. Reflete a importância que o governo dá ao sistema de Ciência e Tecnologia como essencial para o desenvolvimento nacional. Possibilita, também, que a Academia Brasileira de Ciências, como entidade independente, seja reconhecida como parte integrante do sistema, tal como ocorre nos países desenvolvidos. A todos os presentes, nossos agradecimentos pelo comparecimento. De modo especial, ao Ministro Sardenberg, também representando o Presidente da República, pela deferência, na certeza que sua presença servirá de estímulo para prosseguirmos na rota traçada pelos nossos maiores: servir à Ciência do país.
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