Magnífico Reitor, Prof. Aloysio Teixeira; Sra. Vice-reitora, Profa. Silvia Vargas; Sr. Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação, Prof. José Luiz Monteiro; Sr. Pró-reitor de Graduação, Prof. José Roberto; Sr. Pró-reitor de Patrimônio e Finanças, Prof. Joel Theodósio; Sr. Pró-reitor de Extensão, Prof. Marcos Antônio Farias; Sra. Prefeita da Cidade Universitária, Prof. Maria Angela; Prof. Tanus, Coordenador do Fórum de Ciência e Cultura; Prof. Pamplona, Presidente da FUJB; Prof. Odilon Marcuzzo do Canto, representante da FINEP; Prof. Wanderley de Souza, Ex-Secretário Executivo do Ministério de Ciências e Tecnologia; Prof. João Ferreira, Decano do CCS; Prof. Walter Araujo Zin, Diretor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho; Membros da Comissão de Honra; meus caros professores Prof. Carlos Eduardo Guinle da Rocha Miranda; Prof. Antônio Paes de Carvalho, Prof. Leopoldo de Meis e meu querido Professor e amigo Dr. Hiss Martins Ferreira. Demais autoridades, meus amigos, senhoras e senhores... Boa Noite.
Hoje é um dia de festa e no meu não breve discurso farei principalmente agradecimentos. Devo agradecer inicialmente a esta Universidade, a qual admiro e da qual sou fã incondicional desde a década de sessenta, quando nela ingressei. A Universidade sempre foi muito generosa comigo. Ela me deixou tranquilo, por mais de vinte anos, fazendo somente o que eu gostava: dar aula e fazer pesquisa; e, ainda por cima, me pagava o suficiente para criar meus filhos.
Iniciei minha carreira, ainda muito jovem, na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil como monitor de Fisiologia, guiado pelos desafios impostos e pela orientação quase germânica de minha querida professora Dra. Isar Oswaldo Cruz. Naquela época, como bom primata que vinha das plagas e das florestas de Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul, tive como modelo muitos cientistas cujas qualidades e rigor científico faziam inveja aos melhores, de centros do Primeiro Mundo. E foi nesse ambiente rico e na convivência com cientistas e administradores muito talentosos que cresci, como tutor para os mais jovens e aluno e aprendiz dos mais experientes. Tive o privilégio de conviver, nessa fase em que nós, primatas humanos, aprendemos pelo comportamento de outros, com pessoas admiráveis nos ambientes ricos do Instituto de Biofísica e mais tarde, da Universidade de Princeton.
O ambiente do Instituto de Biofísica nessa época era muito especial. Havia um conjunto de pesquisadores, jovens talentosos professores adjuntos, da Faculdade de Medicina, que nunca consideraram parar suas pesquisas para fazer um concurso de Prof. Titular. Éramos jovens estudantes, aprendizes de cientistas, que víamos aquela geração de super talentosos e rigorosos cientistas como modelos a serem seguidos. Era uma tarefa quase impossível para alguns de nós que vínhamos de estados distantes, como Mato Grosso ou Pará.
Com sólidos valores morais impostos pela minha mãe, uma artista plástica de criatividade invulgar e por meu pai, médico, cheguei à Faculdade Nacional de Medicina ainda muito jovem. A convivência com meus orientadores, o primeiro de Iniciação Científica, Dr. Antonio Paes de Carvalho, seguida dos mestres queridos Profs. Eduardo Oswaldo Cruz e Carlos Eduardo Guinle da Rocha Miranda, se iniciou no puleiro do quarto andar da FM da Praia Vermelha, um espaço partilhado ainda pelos Profs. Leopoldo de Meis e Gilberto de Oliveira Castro. Com contatos frequentes com o Prof. Carlos Chagas, Prof. Aristides Azevedo Pacheco Leão, Prof. Hiss Martins Ferreira, Prof. Gustavo de Oliveira Castro (o Almoxarife), Prof. Paulo de Goes, Prof. Lauro Solero e Prof. Bruno Alípio Lobo (Bruninho) vivi como uma criança rodeada de jovens talentosos pesquisadores e experientes professores.
Ora ! Quiçá eu tivesse sido um bom primata e incorporado às minhas qualidades humanas, o espírito inovador e visionário do Dr. Chagas, o rigor científico dos Drs. Aristides Leão e Hiss Martins Ferreira, o caráter empreendedor do Prof. Paulo de Goes, o vigor científico do Prof. Leopoldo de Meis, o amor pela Graduação do Prof. Bruno Lobo, o perfeccionismo quase inatingível do meu mestre querido, Prof. Eduardo Oswaldo Cruz, a competência intelectual, a postura e a eloquência do Prof. Antônio Paes de Carvalho e por fim, a criatividade e a diplomacia do meu mestre e amigo de todas as horas Prof. Carlos Eduardo Guinle da Rocha Miranda.
De meu Doutorado eu poderia ter incorporado a generosidade dos meus amigos Altina Noel e Carlos Alberto Aragão de Carvalho, que até hoje não sei se, em Princeton, adotei como irmão ou como filho. Eu também gostaria de ter incorporado a fluência para línguas e a diplomacia do Prof. Aragão.
E, foi neste ambiente rico do início de minha carreira acadêmica que, no Laboratório de Neurobiologia I, tive o tutoramento diário do meu querido amigo e pessoa humana muito especial, mestre Raymundo Bernardes, e na Biofísica a agradável convivência da Zoca, da Maria Helena e da Sandrinha.
A tônica do laboratório sempre foi a qualidade da ciência, a procura do saber puro e cristalino, a perseguição à contribuição relevante, ao trabalho perfeito e completo independente do tempo que ele levasse. Esta atitude, sempre muito polêmica em todos os fóruns que estive, foi por muito tempo motivo de grande ansiedade de meus colaboradores. Eu só repetia o que o meu mestre Oswaldo Cruz e depois o Prof. Charles Gross me ensinaram. “No mundo acadêmico você só é conhecido pela qualidade de seus trabalhos, pela perfeição de suas figuras e pela clareza de suas contribuições - nunca pelo número de trabalhos publicados. O que vale é a relevância e contribuição definitiva de cada trabalho; portanto, publique aquilo que você gosta hoje e que se orgulhará amanhã”.
Na Biofísica, criei meu laboratório em parceria com a Profa. Aglai Penna Barbosa de Souza. Nele tivemos alguns fantásticos e magníficos colaboradores, que fizeram tantos anos passarem como um clipe de cinco segundos. Admiro e gosto de cada um de meus orientados, cada um com seu talento e rigor científico de que me orgulho. Cada um deles é diferente em seus talentos incríveis, e sempre diferentes dos meus.
Das equipes formadas para cada trabalho tenho memórias muito agradáveis de passagens engraçadas, memórias muito prazerosas - e uma saudade enorme de cada um deles. Dos 22 alunos orientados, 8 ficaram no Brasil e 14 estão no exterior, talvez pela procura de melhores condições de trabalho.
Não posso deixar de lembrar, com saudades, das equipes com quem trabalhei, ainda que correndo o grande risco de deixar de citar alguém. Com Raymundo Bernardes, Aglai Barbosa de Souza, Roberto Lent e Jan Nora Hokoç, sob a orientação de Eduardo Oswaldo Cruz, estudamos os componentes dos sistemas sensoriais do mamífero euteriano, gambá. Com Aglai, Carmen Piñón, Mário Fiorani, Marcelo Rosa e Sérgio Neuenschwander estudamos novas áreas do sistema visual de primatas e suas conexões. Com Sidarta Ribeiro, Marco Marcondes (Marcão), Mariana Farias, Marcelo e Mário estudamos a organização e a plasticidade de módulos de processamento cortical da área visual primária do homem e de primatas não humanos. Com Joaquim Brasil Neto, Paula Ventura e Janaína Miranda estudamos aspectos plásticos e cognitivos do homem normal e com doença de Parkinson. Com Otávio Mariani, Sheila do Nascimento Silva e Aglai propomos um novo parcelamento do sulco intra-parietal e do sulco temporal superior. Com Ana Karla Amorim, Juliana Soares e Cinira Diogo estudamos os microcircuitos corticais e a contribução das projeções de retorno de áreas hierarquicamente mais altas para as áreas sensoriais hierarquicamente mais baixas. Com Mariana Farias, Eliã Pinheiro Botelho, Juliana Soares, Cecília Ceriatte Pereira e Sandra Pereira estudamos as modificações de módulos de processamento sensorial de primatas após lesão retiniana a laser. E por fim, com o meu amigo Tom Albright e minha querida Cinira descrevemos o arranjo tangencial dos módulos de processamento de movimento da área visual MT.
No laboratório sempre perseguimos a sabedoria. O meu envolvimento inconsciente com essa procura me fez estar sempre envolvido com a Deusa da Sabedoria, que nasceu da dor de cabeça de Zeus, que para os romanos é chamada de Minerva (a da UFRJ) e para os gregos, de Atenas (a da Academia Brasileira de Ciências). Entre essas duas visões da Deusa do Saber, Minerva com suas feições romanas, nariz grande e reto; e Atenas com suas feições gregas e traços mais delicados, me dediquei a difundir o saber na UFRJ e a defender o aporte de recursos para a ciência na Academia de Ciências.
Após o Doutorado, colaborei em atividades administrativas intra-murais , limitadas sempre ao Departamento de Neurobiologia ou ao Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho.
Mas, foi em meu concurso para Prof. Titular que um dos examinadores, hoje aqui presente, o Prof. Emérito Antônio Paes de Carvalho, me impôs um desafio: o de sair do ninho e do ambiente protegido do Instituto de Biofísica para alçar vôo e defender os preceitos da Universidade Pública, como forma de mudar a sociedade pela ascenção social e pelo saber, e da Ciência Fundamental, como mola mestra do desenvolvimento econômico e social do país. Nessa nova jornada, assumi cargos na Reitoria da UFRJ, numa das fases mais estressantes de minha vida. Mas o orgulho, o amor e a admiração que sempre tive pela UFRJ justificavam a minha tentativa de preservar os valores acadêmicos, a pesquisa e a formação de recursos humanos de excelência na UFRJ e a defesa da Universidade Pública de qualidade. Foi uma fase difícil, sem dúvida! Mas, se preciso fosse, começaria tudo de novo.
O contato semanal com os três Conselhos Superiores da Universidade foi pesado e o calor da “sauna” da sala do Conselho intenso, a ponto de modificar os ânimos e o humor de nossos conselheiros. Mas, com a ajuda das equipes da SR1 e SR2, apesar dos momentos difíceis, como o do vestibular, tivemos outros prazerosos, como a aprovação do Regimento Geral da Pós-Graduação e dos regulamentos de todos os cursos. Só havia dinheiro para o PROAP, vindo da CAPES. Tentamos criar o PROGRAD, mas a SESU não pode apoiá-lo. Mas hoje não é dia de falar de realizações e sim de agradecimentos.
Agradeço aos professores da UFRJ que me ajudaram, no final do mandato, a resolver os impasses da escassez de vagas e ao Prof. Aloysio, hoje Magnífico Reitor, a conduzir o processo de sucessão. Agradeço àquelas equipes espetaculares da SR1 e da SR2, assim como aos meus novos colegas e amigos dos Conselhos Superiores, que possibilitaram fazer a transição democrática e dentro da lei, da Administração Superior da UFRJ. Não consigo deixar de agradecer a todos os funcionários das sub-reitorias de graduação e corpo discente e de pós-graduação e pesquisa, mencionando simbolicamente aqueles amigos que estiveram bem próximos de mim nessa jornada. Agradeço ao Agnaldo, ao Braz, às professoras Itacy, Tânia, Denise e Cláudia. Ao Cláudio e à Profa. Alma pela implantação do kit diploma. Não posso deixar de agradecer a colaboração do Prof. Herli e do César, da equipe do Vestibular. Ao Gilson, ao Roberto e ao Sérgio Rocha, do NCE, pela implantação do novo sistema de gerenciamento acadêmico. Aos meus grandes colaboradores, em primeiro lugar, à memória viva da SR2, Prof. Watanabe e às minhas grandes amigas Profa. Aglai e Profa. Marília e, por fim, aos meus anjos da guarda: Thereza, Lilha, Sandra, Rosinha e Helena. E, ocasionalmente, às vezes mais frequentemente do que podia, a equipe que me ajudou no Gabinete do Reitor, ao Prof. Leslie, à Cris, à Giovanna e ao Caetano, entre tantos outros.
Na pós-graduação do Instituto de Biofísica tive o privilégio de encontrar minha querida esposa, Profa. Cerli Rocha Gattass, também pesquisadora do Instituto de Biofísica, com quem tive dois filhos maravilhosos, de quem muito me orgulho.
Tive o prazer de assinar os diplomas, tanto de Graduação quanto o de Mestrado em Física, de meu filho Rafael Rocha Gattass. Nunca me preocupei de ser acusado de nepotismo, pois o Fael, por sua performance nos exames acabou fazendo Doutorado em Harvard, com bolsa integral daquela Universiade. Ao meu filho querido Gustavo tenho muito a agradecer por ter incorporado à nossa família, a Ana Rita, a filha muito especial e super carinhosa que eu sempre quis ter, além da extensão bem humorada da família, com um pai que gosta tanto de parafusos e porcas quanto eu.
Sou muito grato à minha esposa Cerli que tem me estimulado, em todas as etapas de minha vida acadêmica, e aos meus filhos, por terem acomodado suas vidas e suas carreiras escolares às demandas de viagem de minha carreira científica.