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  Discurso proferido pelo Dr. Eduardo Krieger durante as comemorações dos 35 anos da FINEP (24/07/2002)

A FINEP festeja hoje 35 anos de criação. Há pouco, foram o CNPq e a CAPES que comemoraram seus 50 anos e o próprio Ministério de Ciência e Tecnologia tem pouco mais do que 15 anos. A maioria das Fundações de Amparo à Pesquisa e muitas das Secretarias de C&T nos Estados são mais recentes. Mesmo nossas Universidades ainda não completaram um século e nossa Academia de Ciências tem pouco mais de 85 anos. Esses são alguns marcos históricos que atestam a relativa juventude do nosso sistema de Ciência e Tecnologia, seja como parte do setor público brasileiro, seja como fruto de iniciativas não governamentais.

Embora tenhamos custado a ingressar em um mundo extremamente competitivo onde a capacidade de criar conhecimento, formar recursos humanos qualificados e de transformar conhecimento em desenvolvimento são os ingredientes fundamentais que diferenciam os países industrializados daqueles em desenvolvimento, essa consciência está cada vez mais presente em nossa sociedade.



Tardamos, mas rapidamente conseguimos construir em nosso país um eficiente sistema de Ciência e Tecnologia que já nos diferencia dos demais países em desenvolvimento, colocando-nos ao lado da China e da Índia e de alguns poucos países chamados proficientes assim considerados porque estão aptos a usar os instrumentos de Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento sócio-econômico. É muito grato destacar hoje o importante papel da FINEP na organização e funcionamento desse sistema.



Certamente, a comunidade científica deve à FINEP - e é com prazer que testemunhamos nosso reconhecimento neste dia festivo - a prática em nosso país de que para solucionar problemas tecnológicos e de inovação é indispensável também apoiar a ciência básica e a criação de recursos humanos qualificados. De reconhecer que ciência e tecnologia e inovação devem sempre ser tratadas no mesmo contexto sem artifícios de separá-las por importância ou prioridade.



Criada em julho de 1967, a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), passou a gerir em 1969 o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que se constituiu na mais importante fonte de recursos oficiais, não-reembolsáveis, de apoio à ciência no âmbito universitário e dos Institutos de Pesquisa, permitindo que um projeto de pesquisa pura ou aplicada pudesse receber suporte financeiro de forma contínua e integrada. A FINEP viria a complementar, com recursos próprios e outros instrumentos, o desenvolvimento experimental e os estudos de viabilidade econômica. Era seu objetivo assegurar que o resultado da pesquisa acadêmica se transformasse em um empreendimento de sucesso.



Como resultado da gestão do FNDCT, a FINEP criou uma inestimável capacidade de identificar as necessidades do universo acadêmico brasileiro e de estruturar mecanismos para auxilia-lo. Assim, ao mesmo tempo em que fomentava o desenvolvimento do setor produtivo, apoiava a ciência básica permitindo o desenvolvimento de núcleos de excelência em pesquisa em várias instituições. Grande parte dessa estratégia se deve ao descortino de seu principal artífice nosso Acadêmico José Pelúcio Ferreira que entendeu a necessidade de apoiar a pesquisa básica como fundamento da inovação, fato que permanece ainda hoje inquestionável.



Nosso jovem sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação, sob a liderança do Ministério de C&T, tem pela frente grandes desafios. Expandir a base científica nacional, que ainda é insuficiente, ao mesmo tempo em que se assegura a utilização do conhecimento para o desenvolvimento sócio-econômico do país não é tarefa fácil e que a todos nós igualmente compete enfrentar. O funcionamento dos Fundos Setoriais que em boa hora vem reforçar as atividades realizadas pelas agências do Ministério, CNPq e FINEP, pelos outros diversos ministérios, pelas entidades estaduais e municipais de ciência e tecnologia, abrem boas perspectivas para o nosso país. Estamos seguros que serão mantidas as idéias pioneiramente defendidas pela FINEP de não dissociar a solução de problemas, missão central dos Fundos Setoriais, do compromisso de criar conhecimento novo para aplicar no setor e de preparar o pessoal qualificado, preocupação maior de qualquer sistema de ciência, tecnologia e inovação.



É com prazer que a Academia Brasileira de Ciências associa-se hoje a todos que vêm prestar homenagem à FINEP, reconhecendo o seu importante papel dentro do nosso sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação. Particularmente, queremos agradecer as oportunidades e parcerias que tivemos e certamente continuaremos a ter com a FINEP em projetos para o avanço da Ciência em nosso país. Nossos parabéns ao Ministro Ronaldo Sardenberg e ao Presidente da FINEP Mauro Marcondes representando toda a comunidade que trabalha na Instituição.