Saudação aos Acadêmicos, pelo Acadêmico Elibio Rech

Excelentíssimos Aldo Rebelo, ministro da Ciência e Tecnologia,
Renato Janine Ribeiro, ministro da Educação
Luis Fernandes, presidente da Finep,
Hernan Chaimovich, presidente do CNPq,
Helena Nader, presidente da SBPC,
Excelentíssimo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis,
e Diretoria — a quem agradeço o honroso convite,
Excelentíssimas senhoras e senhores e colegas Acadêmicos:

Tenho a grande satisfação de saudar os novos Acadêmicos. Boas vindas a Academia Brasileira de Ciências, que os acolhe em reconhecimento ao mérito, pela contribuição aos avanços das fronteiras da ciência.

Nestes tempos atuais onde ainda vivenciamos evidências históricas de um circulo vicioso de conflitos ideológicos, que têm inclusive limitado a aplicação dos conhecimentos científicos e estabelecimento de uma nova métrica social e econômica, para a redução da iniquidade e insustentabilidade, temos satisfação e alegria em saber que membros da Academia Brasileira de Ciências, se reúnem para dedicar sua atenção a altos valores que temos em comum: os assuntos científicos.

A Academia Brasileira de Ciências é membro constante do diálogo de inovação entre o governo, setores produtivos e a comunidade científica brasileira. Disponibiliza recomendações baseadas em evidências científicas, referentes a amplo numero de questões relacionadas aos avanços da política de ciência e tecnologia e derivados impactos social e econômico para o país. É importante termos a consciência de que a ciência constitui um bloco sistemático único, expansível e dinâmico sobre o estudo do conhecimento, onde cada geração de cientistas vai além de seus antecessores, cabendo à nossa parte a missão de intensificar os esforços para alcançar a unidade do conhecimento sistemático do desenvolvimento científico e tecnológico que fundamente os que virão depois de nós.

A capacidade de uma nação beneficiar-se dos avanços científicos depende da capacidade de suas instituições para inovar. Entretanto, apesar dos esforços para promover o crescimento econômico e geração de riqueza, países em desenvolvimento ainda enfrentam um crescente número e variedade de grandes desafios, tais como doenças emergentes ou re-emergentes, falta de acesso a água potável, desafios ambientais e o mais importante – um número sem precedentes de jovens que precisam de urgente educação, treinamento e oportunidades.

Como estudo de caso, comentarei sobre o fundamento do agronegócio brasileiro. O Brasil continuará a ser, pelo menos nos próximos 50 anos, um protagonista global na produção de alimentos. Esta conquista foi baseada no uso intensivo de ciência e tecnologia, envolvendo as ciências agrárias, biológicas, biomédicas, da terra, físicas, matemáticas, químicas, engenharia, saúde e sociais, que de forma interativa e complementar, permitiram ao país atingir o desenvolvimento e operacionalização de tecnologias na fronteira do conhecimento e consequente competitividade de um setor produtivo, com significativo destaque na geração de riqueza do país. O uso de tecnologias avançadas, como agricultura de precisão, nanotecnologia, engenharia genética, biologia sintética, bioenergia e química verde, evidenciam uma agricultura com menores custos de produção, redução do uso de defensivos, uso mais racional dos biomas e efetiva redução de emissões de CO2 equivalente na atmosfera. É oportuno enfatizar que o Brasil é um país megabiodiverso, onde a conservação e uso sustentável da biodiversidade é imperativa, porque constitui a base fundamental para intensificar a agricultura sustentável.

Como novos membros da Academia Brasileira de Ciências, os senhores e senhoras possuem hoje a oportunidade de alcançar a unidade sistemática do desenvolvimento cientifico e tecnológico e intensificar a inserção do pais na bioeconomia mundial. Sejam bem vindos.