Cerimônia de posse, em 06/05/2008

Discurso do Agraciado com Prêmio Alm. Álvaro Alberto, Acadêmico Sérgio Henrique Ferreira

Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2008
Academia Brasileira de Ciências
Acadêmico Sérgio Henrique Ferreira
06 de maio de 2008

Discurso do agraciado com a Prêmio Almirante Álvaro Alberto

Todos sabem que o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é a mais alta distinção cientifica brasileira, criada pelo CNPq, em homenagem ao seu primeiro Presidente. Ele ressurgiu recentemente com o apoio da Fundação Conrado Wessel.

Um prêmio representa o reconhecimento de alguma qualidade ou mérito. Agradeço a perspicácia do comitê de escolha que, depois de alguns dias e de muitos cafezinhos, acabou me elegendo como o cientista deste ano.

Esta escolha deixou-me muito contente, feliz e acho que até um pouco orgulhoso, pensando que quando moleque era um estudante carimbado de vagabundo e sem futuro acadêmico.

Mas quero deixar claro que minha contribuição cientifica resultou da complexa e criativa associação com vários professores, colegas, técnicos e estudantes, bem descrita nestes versos de João Cabral de Melo Neto:

Um galo sozinho não tece uma manhã…
Ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
E o lance para outro;
De outro galo que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro, e de outros galos, que com muitos outros galos
se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã (a nossa ciência )
desde uma teia tênue se vá tecendo, entre todos os galos

Saudação aos Acadêmicos, pelo Acadêmico Luiz Bevilacqua

Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2008
Academia Brasileira de Ciências
Acadêmico Luiz Bevilacqua
06 de maio de 2008

Boas Vindas aos Novos Acadêmicos

Bem-vindos! Bem-vindos vós todos que sois hoje recebidos nesta Academia para ocupar um lugar conquistado pelo mérito de vossas contribuições ao avanço do conhecimento científico. Bem-vindos vós que, escolhidos por vossos pares, aceitais também hoje mais essa responsabilidade.

Ser membro dessa Casa não é apenas mais uma honraria na coleção de tantas que preenchem os vossos currículos. É também assumir a responsabilidade de contribuir para fortalecer a presença da Academia no processo de desenvolvimento do Brasil.

Entrar para a ABC é de certa forma ultrapassar o círculo delimitador das competências que muitas vezes vos aprisionam nos tradicionais compartimentos especializados, é aventurar-se pelos caminhos inexplorados de um mundo maior cada vez mais rico e mais complexo. É construir as matrizes da nova ciência abrindo janelas para o futuro.

E para projetar o futuro eu vos convido a considerar o passado, o passado bem distante que nos remete a 2.500 anos atrás. Foi a época da grande efervescência na construção da civilização helênica. Talvez a primeira grande tentativa do sempre sonhado reducionismo universal. De fato podemos dizer que hoje sobrevoamos em um nível mais elevado a mesma conjuntura histórica de 2.500 anos atrás. Naquela época, mais próxima de todos capazes de compreender tudo, e hoje mais perto de tudo explicado por quase nada.

De qualquer forma, as grandes conquistas do século XX, empurradas pelos extraordinários avanços na capacidade de observação tanto do micro como do macro-cosmo e na capacidade de calcular e armazenar informação, cujos limites previstos estão caindo sucessivamente ano após ano, empurrados por essas grandes conquistas fomos levados a uma situação ambígua. De fato, ao mesmo tempo em que esse extraordinário progresso só foi possível dada a grande especialização temática, ele nos mostrou que essa mesma especialização é insuficiente para prosseguir no processo de investigação dos fenômenos naturais.

E mais: os resultados dos últimos cem anos de pesquisa nos forneceram instrumentos que vêm permitindo a quebra de barreiras antes intransponíveis, se vistas dentro dos limitados poços disciplinares. Isto é, o avanço extraordinário da ciência do século passado, conseguido a custa de uma grande concentração disciplinar, nos levou a becos sem saída e ao mesmo tempo nos forneceu instrumentos que permitem encontrar novas vias.

Acontece, porém, que esses novos caminhos não são fáceis de serem trilhados, porque exigem o reconhecimento da impossibilidade de avançar com as ferramentas tradicionais, que foram muito bem sucedidas não faz muito tempo. Requerem a ampliação do campo de conhecimento. Isto representa uma dificuldade para os mais velhos, mas é um imperativo na formação dos mais jovens. O progresso daqui por diante, pelo menos por algum tempo, só poderá ser feito com a convergência de competências. Os sistemas complexos que desafiaram os sábios da civilização helênica nos últimos 500 anos antes da era cristã mais uma vez emergem a nos desafiar. E é nesse sentido que voltamos a sobrevoar a era da aurora da civilização helênica da qual somos herdeiros. Certamente a civilização já viveu momentos semelhantes, talvez a Renascença tenha sido uma época semelhante à nossa, mas a nossa era, pela universalização do conhecimento, o acesso à informação e na presteza das comunicações tem algo de muito peculiar.

Chegou a hora de sairmos dos nossos poços disciplinares e nos juntarmos no grande patamar da convergência disciplinar. Vivemos um momento extraordinariamente rico, repleto de desafios e esperanças e a nova ciência nos convida a mergulharmos em imprevisíveis aventuras neste universo infinito do conhecimento. Temos que ter a coragem e a humildade de Shrodinger que, nos anos 40, escreveu o que talvez tenha sido a primeira carta declarando a saída de seu poço disciplinar para se aventurar por novos campos. Está assim no ultimo parágrafo do prefacio do seu livro What is life?:

“(…) Mas a expansão, tanto em largura como em profundidade, dos multivariados ramos do conhecimento ocorrida nos últimos cem anos, confrontou-se com um dilema singular. Percebemos claramente que só agora nós estamos começando a colher material confiável para soldar num todo a soma integrada de tudo o que é conhecido; mas por outro lado torna-se praticamente impossível para uma única mente dominar a não ser uma pequena porção especifica desse todo. Eu não consigo ver escapatória desse dilema (exceto se o nosso verdadeiro objetivo seja perdido para sempre) a não ser que alguns de nós nos aventuremos a embarcar na síntese de fatos e teorias, a despeito do conhecimento incompleto e de segunda mão de alguns deles, e com o risco de passarmos por tolos.”

Toda essa conjuntura nos leva mais adiante a uma revisão mais profunda dos valores predominantes na nossa sociedade. A concepção integrada da ciência, este movimento que nos empurra para fora dos nossos limites de especialização, nos abre os olhos para um horizonte maior, recuperando os valores dos bens do espírito em contraposição aos bens materiais. Contrapõe a beleza do conhecer e a satisfação pelo conhecer ao utilitarismo consumista de nossos dias. Estamos, pois, prontos para recuperar hoje o espírito de Alexandria: busca desinteressada pela expansão do horizonte do conhecimento com o concurso e a convivência de todas as ciências, para fazer o todo maior que a soma das partes.

Quero vos conclamar, vós que hoje entrais para a nossa Casa como também a todos os membros da ABC, a fazer desta Academia um pólo de irradiação do verdadeiro espírito de Alexandria, para que vivendo-o possamos levá-lo às nossas universidades e institutos de pesquisa.

Além do valor intrínseco dos bens do espírito, pergunto se há alguma saída para o desenvolvimento sustentável, para preservar o que resta do nosso planeta, se a voracidade do consumismo não for retida. Creio que por mais que se busque fontes de energia para atender a demanda por mais bens materiais, não será possível evitar uma catástrofe sem que se use a forma mais eficiente de energia para preencher as aspirações humanas, aquelas mais nobres: a inteligência.

É preciso mais ousadia. Que os riscos que se corre ao embarcar em novos paradigmas não sejam obstáculos para uma nova aventura. O que seria da ciência sem riscos e sem aventuras? Há de haver pescadores de águas turvas? Sim, mas sempre os houve. Muitos ficarão perdidos no patamar das superficialidades? Sim , que não a tomem como meta. Creiam, porém que a maioria perseverante e apaixonada pelo conhecimento encontrará terreno adequado para a abertura de novos poços disciplinares que recomeçarão o ciclo do novo sobrevôo do conhecimento científico em altitudes cada vez maiores.

As dúvidas que se levantam quanto a interdisciplinaridade, na realidade só fazem sentido quando se referem ao mau uso que se faz dessa palavra. Mas a solução não é desqualificar essa tendência, mas evitar o aparecimento de artificialidades multidisciplinares.

E aqui, senhor presidente dessa Casa, lanço um desafio para consideração dessa Diretoria. Como legítima Casa da Ciência, porque não derrubar as barreiras que nos dividem em compartimentos estanques? Porque não começar aqui a recuperação do espírito de Alexandria? Pergunto: se Shrodinger fosse proposto para a ABC, em que capítulo seria enquadrado? Porque não simplesmente Acadêmico? Onde melhor se enquadram muitos de nós? Quantos cientistas da mais alta qualificação estão fora dos nossos quadros muitas vezes por não se encaixarem nas clássicas divisões? Fica a sugestão.

Ao lado das extraordinárias riquezas proporcionadas pela ebulição das descobertas cientificas, vivemos também uma época de contradições provocadas pelas mesmas conquistas. A um tempo a voz de vários cientistas se levanta a proclamar a necessidade de uma profunda revisão na atual cristalização das barreiras entre os diversos ramos da ciência, mas nesse mesmo tempo o quase indestrutível conservadorismo das instituições acadêmicas opõe-se a qualquer tentativa de progresso. Aqui e em qualquer lugar do mundo a nova ciência tem enorme dificuldade de prosperar em instituições bem estabelecidas. Criam-se então centros de pesquisa, institutos interdisciplinares e coisas semelhantes, para abrigar os imigrantes dos poços disciplinares.

A Alemanha, por exemplo, criou um programa de apoio a centros de excelência, uma espécie de instituto do milênio, que apóia a integração de universidades com institutos de pesquisa das redes Max-Planck, Frauenhoff ou semelhantes. O apoio está condicionado a certas iniciativas que claramente incluem a implementação de pesquisa interdisciplinar, fugindo da rígida estrutura dos clássicos e inflexíveis Institutos das universidades alemãs. Nos Estados Unidos, a criação de Institutos e centros de pesquisa dentro das universidades de maior prestígio, independentes dos departamentos e reunindo professores com interesses científicos convergentes, cresce aceleradamente.

Alem disso, a preocupação de uma formação acadêmica que ofereça aos novos estudantes a oportunidade de se envolverem desde cedo com uma nova ciência também enfrenta grandes dificuldades. Mas para nossa satisfação e para a confirmação de que o enraizamento no conservadorismo extremado é insustentável a longo prazo, várias iniciativas vêm ocupando lugar importante no sistema universitário em todo o mundo.

A ABC tem promovido encontros e produzido textos que se alinham com essas novas propostas. Aliás, um desses textos sobre a reforma universitária tem servido de inspiração para a elaboração de novos projetos acadêmicos nas universidades brasileiras. Ao lado dessas iniciativas em execução aqui, outras propostas se apresentam em vários lugares do mundo. Seja o processo de Bologna na Comunidade Européia, sejam iniciativas particulares em universidades norte-americanas.

As idéias subjacentes a esses projetos são todos semelhantes. Todos acentuam a necessidade de contornar a estrutura departamental, a necessidade de rever a organização dos temas científicos nos conteúdos das disciplinas, promovendo de alguma forma a integração dos conhecimentos, antes apresentados como estanques em disciplinas diferentes. Todos estimulam a maior participação ativa dos alunos no processo de aprendizado, exortando o exercício da criatividade e estimulando a independência intelectual. Direta ou indiretamente valoriza-se a educação por ser mais uma porta para a liberdade do que para o exercício de uma profissão.

Aqui vai como exemplo o conceito explicitado pela Universidade de Harvard em maio de 2007: “Uma educação harvardiana é uma educação liberal – isto é, uma educação conduzida segundo o espírito do livre questionamento, assumida sem nenhuma preocupação por relevâncias temáticas ou utilidade vocacional. Este tipo de aprendizado não é apenas uma das riquezas da vida; é uma das conquistas da civilização”.

Estes são conceitos muito próximos à concisa declaração do Presidente Lula feita perante o Congresso Nacional em janeiro de 2007: “Mais do que formar para o trabalho a educação deve ser, sobretudo, libertadora. Um país cresce quando absorve conhecimento, mas só é forte se for capaz de gerar conhecimento”.

Não cabe aqui alongar-me sobre os pormenores desses projetos. Cabe sim dizer que, o que foi proposto no Brasil em 2005 por um comitê de cerca de 30 engenheiros e cientistas a partir de um documento gerado nesta Casa, o que foi publicado pela Universidade de Harvard em maio de 2007 e o que recentemente foi apresentado pela Universidade de Princeton tem grandes semelhanças. Esperemos que as propostas desenvolvidas aqui sejam devidamente valorizadas, ainda que seja pelo respeito a essas 30 pessoas que se debruçaram durante cerca de seis meses para elaborar a estrutura fundamental de uma universidade para o século XXI. Esperemos que sejamos capazes de reconhecer o nosso próprio valor e de desenvolver a auto-estima que muito nos faz falta.

Está na hora de sairmos da esteira deixada pelos países mais desenvolvidos e de nos pautarmos pelas nossas próprias soluções. A condição de subordinação à chancela do exterior como se nós não soubéssemos o que bom e o que é mau é um suicídio cultural. Chamo a atenção sobre esse ponto porque já ouvi sugestões de se adotar a proposta de Princeton, quando se tem uma aqui à mão em certos aspectos até superior à de Princeton.

As Agências nacionais de desenvolvimento, Finep, CNPq, Capes e as outras estaduais, bem como os ministérios, particularmente o MEC e o MCT, podem contribuir sobremaneira para a consolidação da autoconfiança nacional. Estimular, por exemplo, a promoção do maior intercâmbio entre instituições brasileiras é indispensável, afirmar a valorização da produção científica e tecnológica gerada no país é essencial.

Mas para que a administração pública possa exercer suas funções, é necessário que a nossa contribuição mais original seja dirigida para as nossas melhores revistas, o que é elemento crítico na consolidação da contribuição brasileira no contexto internacional. A internacionalização da educação está em marcha, não podemos ser atropelados. Entre outras ações, gostaria de insistir em que todos os que estejam envolvidos em temas interdisciplinares publiquem nos Anais da ABC e façam dos Anais uma fonte significativa de demonstração da riqueza da convergência disciplinar. É preciso prestigiar mais a nossa publicação mais importante e fazer dela o foco das nossas melhores contribuições. Se nos não a valorizarmos, quem o fará?

Bem-vindos à comunidade que busca o desenvolvimento de novos temas, de novos poços de conhecimento, que já começam a se aprofundar a partir do patamar da interdisciplinaridade. Bem-vindos à era dos sistemas complexos, do equilíbrio instável dos sistemas ecológicos, da capacidade de adaptação de certas espécies, da misteriosa matéria escura e da mais intrigante energia escura que nos mantêm sobreviventes neste cosmo maravilhoso, bem vindos à modelagem matemática e computacional, à simulação e à representação; bem vindos à era da exploração dos processos cognitivos que especula para alem do conhecimento racional, bem-vindos as hipóteses de universos paralelos.

Bem-vindos a Academia Brasileira de Ciências.

Discurso do Presidente da Fundação Conrado Wessel, Américo Fialdini Junior

Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2008
Academia Brasileira de Ciências
Sr. Américo Fialdini Junior
06 de maio de 2008

Discurso do Presidente da Fundação Conrado Wessel

A Fundação Conrado Wessel, em 2002, criou os prêmios de Ciência, Cultura e Arte. Realizou uma grande e essencial parceria com as instituições que representam a inteligência brasileira -o CNPq, a Fapesp, a Capes, a ABC, a SBPC, a Academia Brasileira de Letras (ABL), que passaram a integrar o nosso corpo de jurados, agregando com isso credibilidade e peso acadêmico. A generosidade dessas instituições nós não temos como pagar, mas temos o prazer de agradecer.

Transformamos a nossa parceria em um caminho de via de mão dupla, com a direção do Prof. Erney de Camargo, então presidente do CNPq, e com o apoio do ministro da C&T, Dr. Sérgio Rezende, a Fundação Conrado Wessel celebrou com o CNPq um convênio específico para garantir a transmissão do Prêmio Almirante Álvaro Alberto. Hoje, na gestão do atual presidente do CNPq, professor Marco Antonio Zago – com quem sempre pudemos contar para integrar o nosso corpo de jurados, o que muito nos honra – estamos cumprindo o segundo ano dessa cerimônia, em um cenário magnífico e adequado, envolvidos pelo ambiente expressivo dessa platéia e da anfitriã ABC, cujo presidente, o Prof. Jacob Palis, também nos honra ao integrar o nosso corpo de jurados. Com se vê, há incontáveis laços de trabalho e objetivos comuns a nos unir, que faz unir a iniciativa privada buscando a ciência e a ciência buscando se unir com a iniciativa privada.

O Prêmio Almirante Álvaro Alberto é o maior e mais prestigioso concedido pelo CNPq e hoje está mais reluzente pelo brilho de seu ganhador, o Prof. Dr. Sergio Henrique Ferreira, eminente cientista cujo mérito nos levou a novas fronteiras. Suas pesquisas e suas grandes descobertas que interferem no controle da pressão arterial, entre outras coisas, beneficiaram não apenas os brasileiros, mas toda a humanidade.

Muito obrigado.

Discurso dos recém-empossados, pela Acadêmica Vera Lúcia da Silva Valente Gaiesky

Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2008
Academia Brasileira de Ciências
Acadêmica Vera Lúcia da Silva Valente Gaiesky
06 de maio de 2008

Discurso dos recém-empossados

Ilustríssimos Srs.
Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, Dr. Sergio Machado Rezende
Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Dr. Marco Antonio Zago
Diretor-Presidente da Fundação Conrado Wessel, Dr. Américo Fialdini Júnior
Presidente da CAPES, Dr. Jorge Guimarães
Dr. Marco Raupp, Presidente da SBPC
Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Dr. Jacob Palis
Autoridades presentes
Demais Membros da Academia Brasileira de Ciências
Senhores e Senhoras

Desafiada pelo Dr. Palis a fazer um pronunciamento em meu nome nos de meus 17 colegas brasileiros e quatro estrangeiros hoje diplomados como Membros Titulares da Academia Brasileira de Ciências, a tarefa me pareceu bastante difícil, dados a diversidade de formações e áreas do conhecimento que representamos. Mas, como todos somos cientistas, comecei, então, me perguntando:

O que nos fez cientistas?

Temos uma curiosidade incomum, um gosto especial pelo desafio, somos excepcionalmente perseverantes, competitivos ou nascemos com uma criatividade especial? Difícil definir: curiosas, todas as crianças são. Criativos, uns mais do que os outros, mas muitas pessoas são criativas, e nem por isso optam pela carreira científica. Assim, entendo que a criatividade de todos nós encontrou um ambiente favorável e estímulos para que a nossa vocação pudesse desabrochar.

Cada um de nós aqui presentes, independente da área do conhecimento que escolhemos, embora diferentes, compartilhamos algumas singularidades e similaridades. Em algum lugar, em algum momento do século XX, cada um de nós sofreu certas influências, que adicionadas a algumas características inatas (o que como geneticista não posso deixar de considerar) que nos trouxeram até aqui neste momento extremamente honroso para qualquer cientista.

Talvez o que nos una, o que tenhamos em comum seja um pouco de cada uma das características acima referidas, mas acima de tudo, certamente tivemos a sorte de encontrar um ambiente propício ao desenvolvimento de nossas potencialidades, e grandes modelos, grandes mestres, grandes mentores. Mais que tudo, tivemos grandes exemplos. Nesse ambiente favorável, nossos talentos inatos tiveram a oportunidade de se desenvolver.

Em nome de todos os colegas hoje agraciados com esta que é a maioria honraria que um cientista brasileiro pode receber, quero agradecer aos meus mestres, representando os mestres de todos nós. Em especial, aos Drs. Antonio Rodrigues Cordeiro e Francisco Mauro Salzano, cujas trajetórias, sempre procurei humildemente seguir. E aos não menos importantes Drs. Danko Brncic e Aldo Mellender de Araújo, que me serviram de guias na persistência no caminho da minha irresistível vocação.

Mas certamente os caminhos que nos trouxeram até aqui neste momento teriam se encerrado antes, se não tivéssemos a alegria e o prazer imensos na procura das nossas verdades, na obtenção de nossos preciosos resultados, apoiando ou refutando as nossas mais apaixonadas hipóteses. Mais do que tudo foi determinante o nosso prazer genuíno, mesmo na execução das tarefas rotineiras, que antecedem a alegria do climax que é a obtenção das respostas claras às perguntas que fazemos à natureza. Essas respostas às vezes demoram a chegar: elas exigem de nós exercícios às vezes penosos e frustrantes e o aprendizado e aplicação de sempre novas metodologias. Já outras respostas vem mais rápido, frutos de “insights” resultado de processos mais curtos de raciocínio e lógica..

A aplicabilidade dos nossos resultados em prol da humanidade e da qualidade de vida do planeta pode ser imediata ou demorada (como no meu caso, que trabalho com pesquisa básica sobre evolução biológica em modelos animais). Mas ao longo desta senda, seguimos modelos, somos modelos, enfrentamos desafios, adversidades, derrotas, frustrações, desconfianças (daí ter a auto-estima íntegra ser outra característica dos cientista), mas seguimos em frente, estabelecemos tanto novas conecções cerebrais quanto novos relacionamentos profissionais, alargamos nossos horizontes e o de muitas pessoas que passam por nós, em especial nossos alunos, estagiários, pós graduandos, Pós Doutorandos. Com eles, aprendemos o significado real da liderança, como líderes de grupos de pesquisa que nos tornamos.

Assim, nossos agradecimentos vão aos nossos filhos científicos: estudantes de Graduação, Mestres e Doutores e aos nossos colaboradores científicos, brasileiros e estrangeiros, com os quais estabelecemos preciosas redes de geração de conhecimento, unindo nossos saberes e talentos individuais e os de nossos alunos, maximizando as nossas potencialidades e minimizando as nossas limitações. Também nesses casos, freqüentemente estabelecemos fortes laços de afeto com pessoas que jamais encontraríamos, se não fosse a nossa vocação comum e as inúmeras oportunidades de encontro decorrentes do exercício da nossa profissão.

Também quero agradecer aos funcionários de apoio das nossas instituições de ensino e pesquisa, às entidades financiadoras, às quais estamos sempre recorrendo, aos nossos pares que nos julgam, à exigente massa crítica dos corpos editoriais das revistas científicas às quais submetemos o produto final de nosso trabalho e de nossos esforços. As inúmeras situações de avaliação de desempenho a que constantemente nos submetemos, certamente fizeram com que nos tornássemos cada vez melhores.

E por fim, quero registrar o nosso agradecimento e fazer homenagem às nossas famílias, tanto aos membros que nos precederam (tomo a liberdade de homenagear a memória de um grande homem, meu pai Clovis Valente, cujo modelo de vida, valores éticos, inteligência, sensibilidade e tenacidade foram o meu fiel, e à minha mãe Zilda que me introduziu no prazer da leitura) nossos maridos e esposas e aos nossos filhos biológicos. Novamente, como não conheço a todos, tomo a liberdade de homenagear as minhas duas filhas aqui presentes, Luciana e Elisa Valente Gaiesky, em nome dos filhos de todos os outros membros hoje titulados. Mesmo que sigam ou não a carreira científica, servimos de modelos a eles no amor ao estudo e na perseverança em prol dos nossos objetivos.

A esta grande casa, na pessoa do Prof. Dr. Jacob Palis, que a preside, e aos seus membros ilustres, agradecemos e declaramos que é uma grande honra e uma grande responsabilidade passar a fazer parte desta comunidade. E assim como vimos fazendo ao longo de nossa trajetória profissional, vamos seguir sempre fazendo por merecer a confiança depositada e dar a nossa contribuição pessoal a esta grande instituição.

Muito obrigada

Discurso do Presidente do CNPq, Acadêmico Marco Antonio Zago

Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2008
Academia Brasileira de Ciências
Acadêmico Marco Antonio Zago
06 de maio de 2008

Discurso do Presidente do CNPq

Sr. Ministro Estado da Ciência Tecnologia, Sergio M Rezende
Caro Prof. Jacob Palis, Presidente da ABC
Marco A Raupp, Presidente da SBPC
Demais membros da mesa,
Prof. Sérgio Ferreira,
Caros colegas da Academia
Senhoras e senhores,

Em 17 de abril de 1951 reuniu-se pela primeira vez o Conselho Deliberativo do Conselho Nacional de Pesquisas, CNPq, presidido pelo Almirante Álvaro Alberto, que na época era também o presidente da Academia Brasileira de Ciências. Além do seu presidente, 12 dos demais 21 conselheiros eram membros da Academia Brasileira de Ciências, revelando desde a sua origem os vínculos entre o CNPq e a comunidade científica e tecnológica.

Portanto, nada mais apropriado do que entregar o prêmio maior do CNPq no dia da posse dos novos membros da Academia Brasileira de Ciências. É um encontro da excelência, reconhecida pela missão excepcional que já cumpriu, com aqueles que chegam agora ao grau mais elevado do sistema de ciência, onde ainda devem dar uma contribuição expressiva compatível com a expectativa que temos em relação a eles.

Hoje é um dia de festa para a ciência brasileira, e aproveito para agradecer à Fundação Conrad Wessel a colaboração com o CNPq na promoção do prêmio Álvaro Alberto. Do ponto de vista pessoal, essa festa traz uma alegria adicional, pois o homenageado, além de meu professor, foi meu colega, parceiro de numerosos empreendimentos, argumentador obstinado, e por vezes um antagonista irredutível.

O Prof. Sérgio Ferreira está sendo homenageando não apenas porque descobriu mecanismos biológicos básicos relacionados com a dor e a ação da aspirina, ou abriu a porta para descoberta dos inibidores da enzima conversora da angiotensina, medicamentos que muitos de nós usamos diariamente para o controle da pressão arterial. Mais que isso, foi um ator permanente no cenário científico brasileiro nas últimas três décadas, defensor ou opositor de idéias, e não de pessoas.

Mas, mesmo num dia de festas, cientistas não se limitam a comemorar. Porque a todos cabe-nos a missão, dirigidos pelas nossas lideranças e tendo à frente o Ministro Sérgio Rezende, a missão de tornar realidade o axioma de que “o conhecimento produz desenvolvimento”. Alguém duvida disso? Não. Alguém contra-argumenta? Não. Há evidência suficiente para essa conclusão? Sim. Basta, por exemplo, comparar América Latina e Sudoeste da Ásia e a China, na década de 70 e hoje. O que provocou a mudança? O investimento considerável, consistente, estável, em educação e ciência e tecnologia nos países asiáticos, contrariamente ao que ocorreu na América Latina.

Então, se investimentos em educação, ciência e tecnologia produzem desenvolvimento, por que os governos, com freqüência, relutam em fazê-los, como ocorreu na América Latina ao longo de quase três décadas? Porque os resultados demandam tempo para se consubstanciar, porque a ciência é um bem intangível, em contraposição a rodovias e edifícios, e porque sempre há problemas muito urgentes, relacionados com saúde e bem-estar imediato da população que precisam ser atendidos. Não hesito em afirmar, no entanto, que o Brasil vive hoje uma oportunidade excepcional em que existe de fato uma forte ligação da ciência e da pesquisa com as decisões políticas, que podem assegurar ao país uma participação efetiva nas mudanças globais tectônicas que estão ocorrendo, envolvendo energia, alimentos, clima, e a mudança dos eixos da economia e de poder no mundo.

A realização deste intento exige a ação sinérgica de vários componentes, entre os quais se destaca a universidade. A universidade é, e continuará sendo por um período, o mais bem-estruturado componente deste sistema. Está ela de fato exercendo o papel de liderança que dela se espera? É de fato a nossa universidade aquela “escola especial” de que fala Karl Jaspers, onde o aluno aprende participando ativamente da pesquisa, onde pensa independentemente, ouve criticamente, é responsável perante si mesmo e tem liberdade de aprender? Ou será que a deixamos sofrer as distorções de ele descreve, onde um excelente intelectual pode não encontrar lugar porque seu trabalho não se enquadra no esquema tradicional das divisões departamentais?

Jaspers e a sua geração mostraram ser possível reconstruir uma grande universidade que havia sido completamente destruída pelo totalitarismo e pela guerra. Sérgio Ferreira e os pioneiros de Ribeirão Preto mostraram ser possível construir no Brasil uma estrutura universitária inovadora e produtiva, em um curto período de tempo. Cabe-nos mostrar que podemos reformar a universidade para que ela atenda à sua missão na sociedade. É nossa responsabilidade.

Discurso do Presidente da ABC, Acadêmico Jacob Palis

Discurso de Posse dos Novos Acadêmicos em 2008
Academia Brasileira de Ciências
Acadêmico Jacob Palis
06 de maio de 2008

Discurso do Presidente da ABC

Senhores Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado Rezende; deputado Alexandre Cardoso, secretário de C&T do Estado do Rio de Janeiro; Luiz Antonio Rodrigues Elias, secretário executivo do MCT; Marco Antônio Zago, presidente do CNPq; Luis Fernandes, presidente da Finep; Jorge Guimarães, presidente da Capes; Lucia Carvalho Pinto de Melo, presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE); Marco Antonio Raupp, presidente da SBPC; Américo Fialdini Júnior, presidente da Fundação Conrado Wessel:

É com grande satisfação e orgulho que a Academia Brasileira de Ciências (ABC) acolheu a sugestão do ministro Sérgio Rezende, do colega Marco Antonio Zago e do Dr. Américo Fialdini de ter anualmente em sua Sessão Solene de posse dos seus novos Membros a outorga do Prêmio Nacional de Ciência e Tecnologia Almirante Álvaro Alberto. Trata-se de uma feliz coincidência histórica, pois como salientou Zago, o Almirante Álvaro Alberto foi o primeiro presidente do CNPq, quando era também presidente da ABC. Mais ainda, foi iniciativa da Diretoria da ABC a proposta feita ao Governo Federal em 1947 de criação do CNPq. Após alguns anos, em 1951, a idéia germinou, agora com o aporte do grande cientista brasileiro César Lattes. Assim, o Prêmio de maior destaque outorgado pelo CNPq passa a fazer parte de um momento especial de nossa Reunião Magna Anual, aumentando nossos laços com o MCT, o CNPq e a Fundação Conrado Wessel.

Há cerca de um ano, durante a Reunião Magna da Academia Brasileira de Ciências de 2007, juntamente com meus colegas de Diretoria, recém empossados, Hernán Chaimovich, Ivan Izquierdo, Luiz Davidovich, Evando Mirra, Jerson Lima e Marco Antonio Zago, reafirmávamos o nosso compromisso com os grandes objetivos desta quase centenária instituição, que há tanto respeitamos e coletivamente estimamos. São eles:

· Reconhecer o mérito dos nossos maiores talentos científico-tecnológicos e, com a participação de todos os Membros de nossa Casa, a eles elegermos para os nossos quadros.
· Contribuir de maneira fundamental para a promoção da nossa Ciência em benefício da nossa Sociedade, freqüentemente em parceria com os Governos Federal e Estadual, e com a iniciativa privada, como é o caso presente.
· E também contribuir de maneira fundamental para uma marcante presença do Brasil em um cenário internacional, em nossa área de atuação.

Claramente, estes três objetivos se entrelaçam e têm por base uma alta competência de nossos cientistas desde Carlos Chagas, quadro maior da Ciência, e Oswaldo Cruz ou, indo mais longe, Joaquim Gomes de Souza, o Souzinha, matemático, astrônomo, filósofo, antólogo, e mais longe ainda, José Bonifácio, químico e metalúrgico, e Patriarca da Independência ou mais próximo de nossos dias, César Lattes.

Mas nossa Diretoria tinha também novos planos para a ABC que julgávamos, e ainda o fazemos, de primeira importância. O primeiro deles era o de promover vigorosamente a disseminação das atividades da Academia por todas as regiões do pís. Assim o fizemos, de fato, ainda sem alterar os Estatutos, estabelecendo em nossa primeira reunião de Diretoria seis Vice-Presidências Regionais : Norte, Nordeste, Sul, Minas Gerais e Centro Oeste, São Paulo e Rio de Janeiro. É uma alegria termos conosco, compartilhando as ações da Diretoria, os vice-presidentes regionais Adalberto Val, Cid Bartolomeu, Francisco Salzano, Francisco César de Sá Barreto, Adolpho Melfi e Elisa Reis. Mantivemos ao mesmo tempo os Escritórios da ABC em alguns Estados, trabalhando em sintonia com as Vice-Presidências Regionais. Mantivemos ainda o nosso Conselho Consultivo com colegas das diversas regiões do país que conosco discutem anualmente as diretrizes da ABC e os rumos a tomar para alcançá-las. Ele fora criado na excelente gestão de nosso antecessor Eduardo Moacyr Krieger.

Temos agora um amplo, e, ao mesmo tempo, muito ativo e eficiente corpo diretivo e consultivo para a nossa Academia. Não podemos esquecer o papel de primeira relevância que tem nossa tradicional Comissão de Seleção, em muito contribuir para bem organizar a eleição, em duas etapas, de nossos novos colegas da ABC por seus atuais Membros, como os que hoje tomam posse.

Retornando às Vice-Presidências Regionais, uma de suas tarefas primordiais é o da seleção pelos Membros de cada Região de até cinco jovens cientistas de grande talento como Membros Afiliados da ABC, por um período de cinco anos não-renováveis. Já em 2007, trinta Membros Afiliados foram escolhidos e um número semelhante está sendo selecionado em 2008. Eles participam não só das atividades regionais da ABC mas também daquelas de caráter nacional, como é o exemplo de nossas Reuniões Magnas Anuais, como esta, e também das Conferências da ABC no início de dezembro de cada ano sobre “Avanços e Perspectivas da Ciência no Brasil e América Latina”.

Temos recebido comentários muito positivos, e até mesmo entusiasmados, sobre o estabelecimento das Vice-Presidências Regionais e de termos ainda mais aproximado nossa Casa dos jovens cientistas de talento de toda a nação, com a criação de Membros Afiliados à ABC. Com tal receptividade, cabe-nos agora propor uma alteração de Estatuto que formalize essas iniciativas. Para tanto precisamos do apoio de todos os nossos Membros, pois é necessário que a grande maioria se pronuncie a favor das alterações.

Nelas incluiremos outro item de nossa plataforma de eleição, o de considerarmos elegíveis como Membros da ABC, cientistas de alto calibre em nossas áreas de atuação, que residam e desenvolvam suas atividades no Brasil há pelo menos 12 anos consecutivos mesmo que não possuam a nacionalidade brasileira. Isto é, a ABC passa a ser responsável pela concessão de “passaportes” que reflitam o alto mérito científico dos trabalhos de colegas aqui residentes há muito tempo e sua contribuição à nossa Sociedade.

Outra frente de atividades que estamos promovendo com ênfase é a dos grupos de estudos sobre temas de grande relevo para o país: Amazônia – Uma Nova Visão para o Desenvolvimento de C&T; O Ensino de Ciências e Educação Básica, já concluído; Aprendizagem Infantil; Mudanças Climáticas; Estado da Arte no Brasil; Recursos Hídricos no Brasil: Desafios Estratégicos; Doenças Negligenciadas e outros que se seguirão como, por exemplo, Ensino Superior: Desafios e Estratégias.

Temos muito cooperado com o Ministério da Ciência e Tecnologia e suas agências CNPq e Finep, participando em seus principais Conselhos e em diversas ações de caráter nacional e internacional, como em nossa parceria no importante programa de difusão de Ciência e na cooperação Indo-Brasileira em C&T e deles recebendo substancial apoio para nossas atividades em geral. Temos cooperado bastante também com o Ministério da Educação, em especial com a Capes, e vários outros Ministérios e órgãos do Governo Federal e Estaduais, principalmente a Secretaria de C&T do Estado do Rio de Janeiro, em especial as Fundações de Amparo à Pesquisa deste Estado e do Estado de São Paulo. Assinalo que nosso quadro de Membros Institucionais está em expansão, tendo agora ao lado da Petrobras também o BNDES, o Inmetro, e a Fundação Conrado Wessel. Dentro da nova conceituação de Membros Institucionais, o diretor do Inmetro João Jornada esta propondo a criação de um Grupo de Estudos da ABC em Biocombustiveis, o que já foi aprovado por nossa Diretoria.

Ressalto que a ABC tem atuado, freqüentemente em parceria com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e as sociedades científicas junto ao Congresso Nacional, como no caso da Lei de Biossegurança e do Projeto de Lei que regulamenta o uso de animais em pesquisa científica, e junto ao Judiciário, como no caso específico do uso de células-tronco embrionárias congeladas. Muitos colegas têm atuado nestas importantes missões, mas quero destacar aqui o nome de Mayana Zatz como símbolo de tais ações.

É importante que relembremos sempre de que a crescente presença da mulher na Ciência Brasileira, e em particular nesta Casa, e por seu próprio mérito, é questão prioritária. Assim, devemos estar atentos para que isto aconteça. Em particular, continuaremos com nossa parceria com a LOréal e Unesco na premiação com bolsas-grant para sete jovens pesquisadoras de talento das áreas de Biologia, Matemática, Física e Química.

Ainda na questão de difusão de Ciência, temos por plano ampliar nossa atuação diretamente ou em parceria, como é o caso do conhecido Projeto Mão na Massa com a embaixada da França. Por sinal, com a nossa Vice-Presidência Regional de São Paulo, estamos comemorando com um Simpósio Científico, em julho próximo, em parceria com a SBPC, o centenário da presença japonesa dentre nós. Em 2009, celebraremos o Ano da França no Brasil.

No cenário internacional, a presença de nossa Ciência é crescente com o aumento de nossa produção científica, em qualidade e a abrangência de temas. E no mesmo ritmo cresce a presença da ABC nos fóruns científicos internacionais. Ainda há pouco, no Japão, mais uma vez a participação brasileira foi marcante no grupo de Academias de Ciências G8+5, quando desta vez houve pronunciamentos sobre Mudanças Climáticas, Saúde Global e Desenvolvimento via C&T, sobretudo para os países menos privilegiados.

Continuamos a abrigar na ABC as Secretarias Regionais para a América Latina e Caribe da Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento (TWAS) e do Conselho Internacional para a Ciência (ICSU), ambas extremamente ativas. Também o Escritório da Presidência da TWAS e Secretaria Executiva da Rede Inter-Americana de Ciências (IANAS), que é co-presidido por nosso colega Hernán Chaimovich, também vice-presidente do ICSU. Estamos ainda presentes na Rede de Academias de Ciências (IAP), no Conselho da Rede de Academias de Ciências (IAC) e no Fórum Internacional de Ciência e Tecnologia para a Sociedade (STS Fórum), que tem lugar anualmente em Kyoto.

Em conclusão: muito estamos trabalhando para fazer crescer e avançar a Ciência no país e sua presença internacional. Para tal, contamos com um pequeno, mas muito competente corpo de assessores que aqui simbolizo na pessoa de Márcia Melo, a quem expressamos a gratidão da ABC. Mas, não nos esqueçamos, faz-se imperioso termos uma nova sede à altura de nossa comunidade científica e de nossa nação.

Muito obrigado.