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OBITUÁRIO

Morre, aos 88 anos, o Acadêmico Fernando de Souza Barros

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Publicado em 9/11/2017

Faleceu na quarta feira, 8 de novembro, aos 88 anos, o Acadêmico Fernando de Souza Barros . Graduado em engenharia civil, Barros especializou-se em física nuclear, área em que doutourou-se e à qual deu inúmeras contribuições.

Barros iniciou seu treinamento profissional em 1953, quando foi convidado pelos professores Cesar Lattes e Ugo Camerini, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) para estagiar no programa de raios cósmicos, no Laboratório de Radiação Cósmica de Chacaltaya, em La Paz, na Bolívia. Lá atuou, principalmente, em montagem de experiências, como bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas.

Em 1956, foi admitido no curso de pós-graduação do Departamento de Física da Universidade de Manchester, na Inglaterra. Trabalhou sob a orientação dos professores Samuel Devons e Aubrey Jaffe em um dos primeiros estudos sistemáticos de reações nucleares do tipo stripping com feixes de hidrogênio-3 (trítio). Esses estudos constituiram a base para a sua tese de doutorado, defendida em 1960. Em 1961, regressou ao Brasil como professor assistente do CBPF e responsável temporariamente pela cadeira de Física Aplicada do Departamento de Física da Faculdade Nacional de Filosofia, antiga Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Em 1962, foi convidado pelo professor Sergio DeBenedetti para trabalhar como físico pesquisador (pós-doutorado) no Carnegie Institute of Technology. Dedicou-se ao estudo das propriedades das interações eletronúcleo atômico, utilizando técnicas de física nuclear. Nesta época, teve importante participação nos estudos pioneiros do efeito Mössbauer em isótopos de iodo e em determinações de volumes nucleares pela interação hiperfina. Regressou ao Brasil em 1965, mas permaneceu apenas um ano. O período, no entanto, foi suficiente para que colaborasse na planificação de laboratórios de pesquisas do Instituto de Ciências Exatas da Universidade de Brasília (UnB), como professor associado, no Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) da UFRJ e no programa de efeito Mössbauer do CBPF, como professor visitante.

Em 1966, foi contratado pelo Departamento de Física da Universidade Carnegie-Mellon, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, participando até 1972 do programa de pós-graduação. Neste período, participou de estudos de propriedades magnéticas e de fenômenos de relaxação em sólidos moleculares, utilizando principalmente a espectroscopia Mössbauer. Regressou ao Brasil no início da década de 1970, para organizar o curso de pós-graduação do Instituto de Física da UFRJ, colaborando na instalação de um conjunto de laboratórios para estudos da matéria condensada, com técnicas espectroscópicas (Mössbauer, óptica, raios-X, ressonância magnética) e técnicas de baixas temperaturas. Em 1990, iniciou uma colaboração com pesquisadores de instituições do Estado do Rio de Janeiro no campo de aplicações de minerais na fixação de fertilizantes. A partir de1995, estudou o papel de minerais na evolução química da vida, em colaboração com o Acadêmico Adalberto Ramón Vieyra .

Publicou até 2008: foram 50 artigos em periódicos, cinco capítulos de textos especializados e participação na orientação de dez dissertações de mestrado e oito teses de doutorado. A partir de 1997, dedicou-se a estudos cristalográficos, colaborando em projetos de instrumentação para análise de propriedades físicas de materiais a altas e baixas temperaturas, por difração de raios-X.

Em 1992, juntamente com Luiz Pinguelli Rosa , Alberto Ridner e Luis Masperi, recebeu o prêmio Fprum Joseph A. Burton da Sociedade Americana de Física, “por lançar as bases do Acordo Brasil-Argentina de abstenção mútua da construção de quaisquer artefatos explosivos nucleares”. Contribuiu, a nível internacional de estudos e atividades de divulgação, na área de aplicações pacíficas de energia nuclear e eliminação de armas nucleares.

Barros foi ainda nomeado membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), em 1976; Professor Emérito da UFRJ desde 1999; e, no período 1998 a 2000, foi membro do Conselho Diretor de Pugwash (Prêmio Nobel da Paz em 1995). Em 2008, o Acadêmico foi indicado para receber a Ordem Nacional do Mérito Científico do Brasil.


(Herch Moysés Nussenzveig  para NABC, 09/11/2017)



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