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Johanna Döbereiner (DÖBEREINER, J.)

Ciências Agrárias
Membro Titular
Ingresso em 19 de abr de 1977

Johanna Liesbeth Kubelka Döbereiner nasceu em 28 de novembro de 1924, em Aussig, Tchecoslováquia, e mudou-se para a capital Praga ainda criança. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e consequente expulsão de sua família do país, Johanna foi para a Alemanha Oriental com os avós, onde trabalhou no meio rural por diversos anos. Em 1947, iniciou os estudos de agronomia na Universidade de Munique, onde conheceu o estudante de veterinária Jürgen, com quem se casou em 1950. Também neste ano, emigrou para o Brasil e, em 1951, começou a trabalhar com microbiologia do solo no extinto Departamento Nacional de Pesquisa e Experimentação do Ministério da Agricultura. Nos anos seguintes, Johanna concluiu o mestrado em bacteriologia na Universidade de Wisconsin (EUA) e finalizou mais um curso superior, desta vez em microbiologia do solo, no Instituto Pasteur, na França, com bolsa do governo francês e bolsa-auxílio do CNPq. Na Universidade da Flórida (EUA), concluiu o doutorado em microbiologia do solo e, na Estação Experimental Rothamsted, na Inglaterra, realizou estágios de pós-doutoramento.

Mas foi na década de 60 que Johanna começou a quebrar paradigmas na ciência. Ela foi uma das poucas cientistas que apostou na fixação biológica de nitrogênio (FBN) como possível solução para o melhoramento da soja, ainda que a maioria dos cientistas acreditasse firmemente que a FBN não pudesse competir com os fertilizantes minerais utilizados. Johanna iniciou um projeto de pesquisa que buscava entender melhor os fatores limitantes da FBN em leguminosas tropicais e, graças a seus estudos, essa fixação passou a ser feita pela bactéria rhizobium. A soja gerava o próprio adubo! Amplamente utilizada, esta técnica representa, ainda hoje, uma economia de mais de 2 bilhões de dólares para o Brasil por ano. Com menor custo de produção, a soja brasileira tornou-se mais competitiva internacionalmente, chegando ao status de potência que ocupa.

Por suas descobertas, Johanna reuniu diversos prêmios e títulos ao longo de sua carreira. Em 1977, foi nomeada membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Em 1978, foi nomeada, pelo Papa Paulo VI, membro da Academia Pontifícia de Ciências. Em 1980, recebeu o título de Doctor Honoris Causa, pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Em 1981, foi membro-fundador da Academia Mundial de Ciências (TWAS, na sigla em inglês). Em 1989, recebeu o Prêmio da Ciência, da UNESCO, e a Classe Comendador na Ordem Nacional do Mérito Científico, concedida pelo Governo Federal Brasileiro. Em 1990, recebeu a Ordem de Mérito de Primeira Classe da República Federal da Alemanha, e a Classe de Grande Oficial na Ordem de Rio Branco, concedida pelo Governo Federal Brasileiro. Em 1994, recebeu a Classe Grã-Cruz na Ordem Nacional do Mérito Científico, concedida pelo Governo Federal Brasileiro, e, em 1997, recebeu o prêmio de Mulher do Ano, da Revista Claudia. Em 1999, foi indicada ao Prêmio Nobel de Química, entrando para o seleto grupo de brasileiros já indicados ao prêmio.




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