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Google financia pesquisas no Brasil

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Publicado em 27/04/2013

Descobrir por que determinados vídeos publicados na internet alcançam um sucesso estrondoso num espaço tão curto de tempo pode parecer uma tarefa impossível de ser realizada. Mas é exatamente esse o objeto de estudo de uma das pesquisas brasileiras que começaram a ser financiadas pelo Google.

A empresa norte-americana vai investir US$ 1 milhão - sem exigir direitos ou serviços em troca - neste e em mais outros quatro estudos de doutorado de pesquisadores brasileiros. É o primeiro aporte da companhia destinado ao financiamento de estudos no País.

A pesquisa sobre os vídeos populares é de autoria de Flavio Figueiredo, com a professora e membro afiliado da ABC Jussara Almeida. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), eles querem ser capazes de prever quando um vídeo vai "bombar" na internet.

O trabalho de doutorado se baseia na monitoração do que ocorre ao redor dos vídeos: o caminho percorrido até chegar ali, a interferência de eventos externos (por exemplo, uma notícia) e a interação dos usuários com conteúdo. "Existem padrões de crescimento de popularidade, como o da explosão e o gradual. Nós estamos tentando aprender esses padrões", diz Jussara.

Comportamento

Os questionamentos da pesquisadora caem bem num mundo que assiste a 4 bilhões de horas no YouTube por mês. Não à toa essa e outras ideias atraíram o Google. A empresa procurou financiar estudos que tentassem entender o modo como as pessoas se comportam na internet - um de seus grandes desafios atuais.

O diretor de engenharia do Google para as Américas, Stuart Feldman, explica que os projetos têm em comum o caráter experimental. "Nosso objetivo maior é colaborar para o aumento da contribuição acadêmica em áreas que acreditamos representar o futuro."

Todos os pesquisadores (três grupos da UFMG, um da UFRJ e um da PUC-Rio) estão envolvidos nos temas dos estudos há no mínimo dois anos.

O professor e membro titular da ABC Edmundo Albuquerque de Souza e Silva  e o aluno Gaspare Bruno, da UFRJ, estudam as reações de alunos de cursos a distância. O objetivo é identificar quando o estudante está desatento diante das videoaulas. Três equipamentos ajudam na análise: webcam, que captura as expressões faciais, faixa na cabeça, para capta ondas cerebrais, e pulseira que mede a condutividade da pele. Os testes estão sendo feitos com alunos do Cederj, um consórcio de seis universidades públicas do Rio de Janeiro.

Já o trabalho de Pedro Henrique Guerra com o professor Wagner Meira Junior, da UFMG, é fazer uma espécie de "análise de sentimentos" nas redes sociais. Num cenário de eleições, por exemplo, os pesquisadores teriam condições de saber o posicionamento dos eleitores no Twitter.

Neste projeto, revela-se qual seu candidato. Nos outros, a que você assiste, como assiste. Tudo pode ser calculado.

Como saber se uma página na internet é confiável ou não

A internet está cheia de excessos. O ano de 2012 terminou com 2,4 bilhões de usuários e 634 milhões de páginas na web. Em meio a tantas opções de sites, como saber em qual confiar? Daniel Hasan, de 26 anos, talvez possa ajudar nessa tarefa.

Ele é um dos pesquisadores apoiados pelo Google e estuda a qualidade de páginas na web, com a orientação do membro afiliado da ABC Marcos André Gonçalves, na UFMG. Seu ponto de partida é a Wikipedia, em que mais de 14 milhões de artigos são reeditados frequentemente. Isso faz da enciclopédia colaborativa um ótimo laboratório. Número de links, seções, imagens, versões em diferentes idiomas e o histórico de edições dão a pista para a avaliação da página.

Gonçalves diz que o trabalho consiste em desenvolver algoritmos que, baseados nesses critérios, identificam, por exemplo, que um texto com poucas referências externas ou modificado por muitas pessoas ao mesmo tempo não é confiável. Assim, o software qualifica milhares de páginas. "A ideia é levar essa lógica da Wikipedia para outros ambientes da web, como fóruns", diz o professor.

A imensidão da internet também é tema de outro projeto financiado pelo Google. Na PUC-Rio, Thiago Nunes estuda maneiras de oferecer aos usuários formas de explorar uma grande base de dados.


(Blog do Estadão, 26/4/2013)



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