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’É preciso que haja um consenso global sobre a importância da educação’, diz especialista do Banco Mundial

No último dia do Simpósio Internacional sobre Excelência na Educação Superior, realizado na sede da Academia Brasileira de Ciências, o especialista sênior para educação do Banco Mundial, Diego Ambasz, discursou sobre a importância de investimentos na educação para a melhoria de indicadores em várias áreas - do acesso ao mercado de trabalho à redução da pobreza extrema.

Em entrevista exclusiva à ABC, Ambasz, que também atuou como consultor para o Ministério da Economia da Argentina, reforçou sua visão de que excelência na educação é um dos passos fundamentais para o progresso nas sociedades e afirmou que não só o ensino superior, mas também o ensino básico, devem estar integrados em uma política educativa sólida e com uma visão social de longo prazo.

ABC | Qual é a relação entre a educação básica com a educação superior e como esses níveis educacionais podem contribuir para aprimorar a qualidade da educação superior?

AMBASZ | Quando falamos em qualidade da educação, não podemos nos esquecer do que está acontecendo no ensino médio. Melhorar a qualidade deste segmento de ensino é fundamental para garantir uma melhor qualidade no ensino superior. É muito importante que haja uma sinergia entre o ensino superior e o ensino médio, pois não podemos separar esses conceitos.

ABC | O que é necessário atualmente para se fazer investimentos eficazes na educação e melhorar sua qualidade no mundo?

AMBASZ | É importante que os países tenham objetivos claros sobre a igualdade de acesso, a qualidade e a relevância de sua educação. O melhor é que tenhamos políticas governamentais que envolvam vários níveis administrativos. Eu acho que o mais importante é melhorar a governança, a administração e a responsabilização (accountability) das instituições educacionais; devemos dar mais autonomia a elas, mas, em contrapartida, elas devem prestar contas sobre como estão investindo os seus recursos.

ABC | A recente crise financeira está afetando investimentos em educação no mundo? Como as políticas educacionais dos países em desenvolvimento estão lidando com este cenário?

AMBASZ | Toda vez que há uma crise econômica, surgem desafios em termos de políticas, mas eu acho que se os governos - não importa de que país - concordarem que a educação é uma prioridade, eles devem fazer todo o possível para não prejudicar os recursos alocados para a educação, seja ela primária, secundária ou terciária. É muito importante que haja um consenso político e, independente de quem esteja no comando da administração no momento, que as verbas destinadas à educação, à ciência, à tecnologia e à inovação não sejam prejudicadas.

ABC | O senhor acredita que haja este consenso sobre educação na comunidade internacional?

AMBASZ | Sim, definitivamente, e eu acredito que ele esteja crescendo. É incrível todo o esforço que a comunidade internacional está fazendo para aprimorar a qualidade da educação em nível mundial.

ABC | Globalmente, em sua opinião, qual ou quais são os maiores exemplos de sucesso de transformação e desenvolvimento de uma sociedade a partir da valorização da educação?

AMBASZ | A educação em si já é fundamental para qualquer desenvolvimento, em minha opinião. Se você olhar para os países que estão tendo sucesso hoje ou nos últimos anos, você verá que os fundamentos de seus sucessos são baseados na educação. Na Ásia oriental, temos casos como a Coreia do Sul; na Europa, encontramos a Finlândia. Esses países mostram que direção todos os outros deveriam tomar em termos de educação.

ABC | O que é excelência em educação? O que caracteriza uma educação ou política educacional excelente?

AMBASZ | Eu diria que é uma combinação entre alta frequência de matrícula com excelente qualidade de educação e excelente relevância dos conteúdos.


(Diogo Cysne para NABC)



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