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Discurso dos Recém-empossados, pela Acadêmica Célia Regina Ribeiro da Silva Carlini

Exmo. Sr. Ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende,
Exmo. Sr. Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral,
Ilmo. Sr. Presidente do CNPq, Marco Antonio Zago , através do qual cumprimento os demais dirigentes das outras agências de fomento aqui presentes,
Ilmo. Sr. Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis Junior , através do qual cumprimento todos os acadêmicos presentes,
Ilmo. Sr. Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Marco Raupp, através do qual cumprimento os demais membros da mesa,
Familiares, colegas, amigos, alunos,
Meus senhores e minhas senhoras

A Academia Brasileira de Ciências foi fundada em 3 de maio de 1916, tendo como principal objetivo estimular desenvolvimento da pesquisa brasileira e a difusão dos conhecimentos científicos como fatores fundamentais para a promoção do desenvolvimento tecnológico e sócio-econômico do país. Fiel à sua missão, a ABC tem participado de importantes fatos ligados à trajetória da Ciência no âmbito nacional. Apenas para citar alguns entre os mais marcantes, a criação da Universidade de São Paulo, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, do Instituto de Pesquisas Amazônicas, da Comissão Nacional de Energia Nuclear, bem como da criação de órgãos e agências financiadoras como CNPq, CAPES, FAPESP, FINEP.

A Academia promove periodicamente a expansão e a renovação do seu quadro de acadêmicos por meio da eleição de novos membros indicados e selecionados pelos pares. Trata-se de um processo altamente seletivo e transparente, sem candidaturas de auto-promoção ou resultante de iniciativa de moto próprio.

Meus caros confrades e colegas: Somos neste ano não mais do que 18 pesquisadores selecionados de todas as áreas do conhecimento represen-tadas na Academia, eleitos no final de 2008 e que assumimos nesta solenidade. Entre os 18, somos 6 mulheres, situação não usual nas posses de anos anteriores, evidenciando que a participação da mulher no cenário da Ciência no Brasil é hoje uma realidade. Nessa mesma ocasião, quatro cientistas estrangeiros estão sendo empossados como membros correspondentes. Tendo a honra e a responsabilidade de representá-los nessa oportunidade, agradeço aos que me confiaram tal distinção.

É com profundo sentimento de realização que estamos hoje aqui, como novos membros da Academia Brasileira de Ciências. Aprendemos na infância de nossas carreiras científicas a aceitar e exercitar a crítica e a contestação dos dados das nossas pesquisas, dos fatos e atos. Aprendemos também que a avaliação dos pares é fator fundamental para o estabelecimento e a aceitação de verdades científicas em qualquer área do conhecimento. A Ciência cresce pelas mãos de muitos, independente da relevância da contribuição individual de cada um. Assim, se hoje estamos aqui, é por que nossa dedicação à Ciência foi reconhecida pelos pares, nesse seleto universo que é a ABC, como sendo relevante a contribuição de cada um na sua área de atuação.

São muitos aqueles a quem devemos agradecer nessa jornada, e com os quais devemos dividir a alegria dessa conquista. Em primeiro lugar nossas famílias, pais, mães, irmãos, avós, que nos deram berço, que nos deram conselhos, aqueles que cuidaram para que tivéssemos a melhor educação possível. Esposos, esposas, filhos, que nos incentivaram, que entenderam nossas opções por uma carreira tão bela, mas tão exigente, suportando nossas ausências e q dividindo com o nosso trabalho, momentos de suas vidas. Como mulher e mãe que sou, também tenho que agradecer a outras mulheres, profissionais do lar, que me ajudaram nas lidas domésticas e como segundas mães-enfermeiras para meus filhos, nas minhas ausências. Mestres e professores, que nos levaram da alfabetização até a conclusão da universidade. Nossos orientadores, que ajudaram a moldar nossas mentes investigativas, em muitos casos desde a iniciação científica, até forjar os cientistas que hoje somos. Nossos alunos, colaboradores, técnicos, secretários, que além de nos impor um processo contínuo de aprendizagem e reciclagem, contribuíram diretamente para a construção de nossas carreiras e o reconhecimento da comunidade científica. Às agências de fomento que financiaram nossa caminhada até esse momento. A todos vocês, SOMOS E SEREMOS ETERNAMENTE GRATOS.

Mas chegar até aqui não é só uma questão de reconhecimento. Nossos pares que nos elegeram acreditam também que estamos prontos para abraçar o compromisso maior, que é a razão de ser da Academia Brasileira de Ciências, contribuindo para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do País. No conjunto da nossa nova casa, somos, todavia, muito poucos, como de resto em todo o país, constituímos ainda uma pequena comunidade científica brasileira. Juntando-nos aos membros veteranos, associados, afiliados e titulares, seremos cerca de 560 acadêmicos, menos de 0,5 % da força de trabalho da ciência brasileira! Há portanto muito o que fazer.

E de que forma podemos contribuir ? De que maneira, nós que somos tão poucos, podemos colaborar de forma efetiva para o desenvolvimento do nosso País ? Considerando o grau de maturidade profissional que atingimos, nossa atuação está sendo requerida em pelo menos seis frentes: 1) dar continuidade às atividades de pesquisa cujo reconhecimento nos legou essa diplomação; 2) priorizar o processo da formação de novos pesquisadores qualificados; 3) atuar na qualificação da educação básica; 4) dar maior subsídio às relações ciência-tecnologia; 5) ampliar o esforço de divulgação da ciência. A 6ª.frente de ação, já claramente sinalizada pela ABC, e na qual todos os acadêmicos devem se envolver, trata da necessidde de reduzir as disparidades regionais. Paulista que sou, e trabalhando há já 12 anos no Rio Grande do Sul, sinto na carne, melhor dizendo no bolso, as diferenças de oportunidades que se apresentam. Trabalhar nesse frente de ação é simples, como mostram os vários modelos já operando eficientemente no âmbito federal. È necessário, todavia, a efetiva colaboração e solidariedade dos Estados mais ricos, e não a crítica descabida e visão egoísta, que infelizmente, temos visto em episódios recentes.

Sabidamente, a ciência brasileira vem avançando de forma significativa, com especial ênfase em no período recente que vivenciamos agora, em que recursos substanciais vêm sem sendo alocados à Ciência, Tecnologia e Inovação e para a formação de recursos humanas no âmbito das três agências federais. Ministros Sergio Resende e Fernando Haddad recebam nossos agradecimentos pelo esforço que vem sendo despendido nos dois ministérios.

Acredito, ainda, que um componente forte a das nossas missões é formar novos parceiros para a batalha educacional e científica. Formar bem os jovens para o ensino e a pesquisa tem um claro efeito exponencial. Somente atuando intensamente na formação de recursos humanos qualificados poderemos dar os saltos de qualidade na educação básica de que tanto necessita nosso país, e que o MEC vem promovendo de maneira exemplar sob uma verdadeira e salutar obsessão do Ministro Fernando Haddad. Eu ainda sou da geração que fez todos os seus estudos em escolas públicas, e tenho enorme orgulho de representar um investimento público que deu certo! Educação de qualidade em todos os níveis é a base de tudo, é a única saída possível para a justiça e a inclusão social, para a boa distribuição de renda e para oferecer igualdade de oportunidades para todos.

Temos uma enorme dívida a saldar com a educação em todos os níveis, tanto em termos quantitativos como qualitativos, já que apenas 2,5 % da população brasileira chega até as portas das Universidades, e apenas 0,1 % obtém formação no nível da pós-graduação. É fácil, então, constatar que somos poucos, muito poucos. Por outro lado, temos e devemos exercer plenamente o enorme poder de multiplicação com que a carreira científica e a de professor nos agracia.

O nosso envolvimento com as frentes de atuação que citei anteriormente é essencial e urgente, qualquer que seja o setor de atividade considerado. Particularmente importante é a conversão de nossos bem sucedidos avanços científicos nos dias de hoje, como foi anunciado a pouco nesta solenidade, em avanços nos processos tecnológicos. Para que isso ocorra é imprescindível atrair o segmento industrial para parcerias estratégicas, atualmente viáveis em sua plenitude. Fato inconstetável hoje, todos os países que produzem patentes e bem sabem explorá-las, são também lideres mundiais na produção científica.

Acredito finalmente que uma das nossas missões como parte desse seleto mundo da Academia é de atuarmos como facilitadores, promovendo a desmistificação da Ciência. Acredito que quanto mais podermos inserir a Ciência no dia-a-dia da sociedade, introduzi-la no cotidiano das pessoas, sobretudo das crianças, estaremos contribuindo não só para educar o cidadão comum, melhorando sua condição de vida, mas também possibilitando o despertar de novos talentos. Esses,eventualmente, se juntarão a nós no esforço hercúleo que precisamos fazer para manter o Brasil na caminhada a passos largos, como vivenciamos hoje, na direção de um futuro melhor para todos, como país economicamente desenvolvido e socialmente justo.

Concluo esse nem tão breve discurso afirmando, em meu nome e dos pares que aqui represento, que a Academia Brasileira da Ciências pode e deve contar conosco, acadêmicos empossados nessa cerimônia, para levar adiante o compromisso de contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico, e o bem social do Brasil. Para todos nós, não se trata apenas de mais um galardão. Estamos aqui, dispostos a arregaçar as mangas, e conscientes dos compromissos que ora assumimos.

Muito Obrigada!



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