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Como se adaptar às novas tecnologias e usá-las para o combate à corrupção

Nos dias 4 e 5 de dezembro, durante a conferência "Ciência para a Erradicação da Pobreza e o Desenvolvimento Sustentável: uma Chamada para Ação" (03 a 05/12), organizada pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Rede Global de Academias de Ciência (IAP) no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), os desafios e potenciais do progresso tecnológico e das mudanças na economia global ocuparam o centro das discussões.

A ABC reuniu Jere Behrman, pesquisador do Centro de Estudos de População da Universidade da Pensilvânia (UPenn), e Tilak Raj Sharma, diretor de projetos do Centro Nacional de Pesquisa em Biotecnologia Vegetal (NRCPB), e colheu suas opiniões sobre o atual cenário econômico mundial, os obstáculos enfrentados em seus países e as soluções em desenvolvimento para superá-los.

Jere Behrman: adaptar para sobreviver

ABC | Muito se discute sobre o desaparecimento dos empregos "de classe média", ou seja, aqueles que exigem poucos conhecimentos específicos e pagam salários relativamente bons, como os tradicionalmente encontrados na indústria. Como as sociedades devem reagir a isso?

BEHRMAN | Hoje o mais importante não é uma educação estritamente técnica, e sim a habilidade de uma pessoa aprender a aprender. Isso se dá porque, de muitas maneiras, o mundo está mudando rapidamente. Por exemplo, se você um dia era especialista em ferramentas para o MySpace, hoje você está fora do jogo.

Os bons e velhos empregos de classe média, os de natureza industrial, perdem importância conforme a economia global se desenvolve. Empregos no setor de serviços é que estão em ascensão e que concentram as vagas em áreas prestigiadas, como as de tecnologia da informação (TI).

Outro detalhe é que as pessoas estão vivendo mais, então os conhecimentos que alguém possui aos 40 anos estarão antiquados por volta dos 60. É necessário, portanto, aprender a se ajustar.

Tilak Raj Sharma: tecnologia contra a pobreza

ABC | A Índia é um país onde a pobreza, embora em queda, continua em níveis altíssimos - em 2011, quase 25% da população vivia com menos de 1,25 dólares por dia e mais de 60% com menos de dois dólares. O senhor mencionou que a tecnologia pode ser uma grande aliada na superação deste problema. De que modo?

SHARMA | Na Índia, o governo está se esforçando para tornar certos itens básicos acessíveis às comunidades mais carentes. É verdade que os produtos mais elaborados ainda estão inacessíveis para as pessoas pobres, mas devemos nos esforçar para criar substitutos similares e de menor custo com ajuda das inovações tecnológicas.

O celular é um exemplo de sucesso. Hoje, um simples vendedor ou zelador tem celulares na Índia, pois a tecnologia foi tão barateada que se tornou disponível para todos. Ou seja, o mais importante é que o governo invista em tecnologias capazes de serem disseminadas às massas, não aquelas que se concentram só em grupos de elite - que podem, de qualquer modo, adquiri-las quando quiserem.

Outro exemplo são remédios, onde há os originais, mais caros, e os sintéticos, que o poder público deveria apoiar.

ABC | No Brasil, as áreas mais importantes para a "era do conhecimento" - as científicas - continuam as menos valorizadas entre os estudantes e as menos populares nas matrículas do ensino superior. Por acaso a Índia enfrenta problemas similares? Se sim, o que ela faz para superá-los?

SHARMA | Até recentemente, a Índia enfrentava uma situação muito parecida. Os estudantes não estavam interessados em ciências exatas como matemática ou biomédicas, mas os cursos de engenharia eram bem populares. O que o governo fez foi criar programas que concedem bolsas nas áreas científicas para os melhores estudantes de ensino médio e superior.

O objetivo era atrair os melhores estudantes de cada turma e, com eles, inspirar os demais. Em todo o país foi providenciado uma quantia substancial de bolsas para que os melhores se dirigissem a esses cursos, o que fez uma diferença tremenda.

Outro avanço muito importante que notamos nesses últimos 20 anos é que, antes, as mulheres não iam para os cursos de ciências agrônomicas ou de engenharia; hoje, a situação é inversa: mais de 70% das matrículas femininas na Índia são para essas duas áreas.

Ou seja, podemos dizer que o principal motivo do sucesso é que o governo procurou ativamente atrair os melhores alunos para as áreas menos populares. Isso é algo que o Brasil poderia fazer.


(Diogo Cysne para NABC)



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