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CIÊNCIA BRASILEIRA

CNPEM recebe BRICS para reunião sobre infraestruturas de megaprojetos científicos

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Publicado em 28/02/2018

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) sedia, durante os dias 1 e 2 de março, a segunda reunião do Grupo de Trabalho dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) responsável pelos megaprojetos científicos e infraestruturas de pesquisa (Research Infrastructure and Mega-Science projects). A primeira reunião do Grupo aconteceu durante os dias 15 e 17 de maio de 2017, na Rússia.

O propósito desta edição do encontro é permitir a troca de informações a respeito das grandes infraestruturas de pesquisa dos países membros e debater possibilidades de compartilhamento dessas instalações. A programação do encontro estrutura-se primordialmente em sessões técnicas; visitas às instalações dos Laboratórios Nacionais do CNPEM; apresentação dos grandes empreendimentos científicos dos países membros; e estratégias para ampliar o engajamento dos BRICS em outros projetos, também de cunho científico.

Nessa perspectiva, um dos principais tópicos do encontro é o Sirius – a nova fonte de luz síncrotron brasileira. Sirius será uma ferramenta científica de última geração, usada na análise estrutural dos mais diversos materiais, aberta à comunidade de pesquisadores do Brasil e de todo o mundo. A nova fonte permitirá a realização de experimentos hoje impossíveis no País, abrindo novas perspectivas de pesquisa em áreas estratégicas, como saúde, agricultura, energia, biotecnologia, nanotecnologia, ciência dos materiais, ciências ambientais e muitas outras.

Dentre as instituições confirmadas para a reunião estão membros da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), FINEP, MRE, MCTIC, CNPEM, INPE, INPA e LNCC (Brasil); Budker Institute of Nuclear Physics, International Center for Innovations in Science, Technology and Education, Joint Institute for Nuclear Research, National Research Center (Kurchatov Institute) e National Research Nuclear University MEPhI (Rússia); Indian Institute of Science (Índia), Department of Science and Technology (Índia e África do Sul); University of the Witswatersrand e National Research Foundation (África do Sul); Academia Chinesa de Ciências e Shanghai Institute of Applied Physics (China).

A força dos BRICS pode ser constatada pelos números: os cinco países ocupam cerca de 26% da área total do planeta, reúnem aproximadamente 42% da população mundial e a soma do PIB dos países membros equivale a 22% do PIB mundial, segundo informações do BRICS Joint Statistical Publication 2015.

Sirius

Sirius será uma ferramenta científica de última geração, usada na análise estrutural dos mais diversos materiais, aberta à comunidade de pesquisadores do Brasil e de todo o mundo. O novo acelerador de eletróns foi projetado nacionalmente pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Com mais de 500 metros de circunferência, Sirius é a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil. Toda essa estrutura ficará abrigada dentro de um edifício de 68 mil metros quadrados, construído em uma área de 150 mil metros quadrados. As obras foram iniciadas em dezembro de 2014 e, até agora, cerca de 80% estão concluídas.

Atualmente, existe apenas uma fonte de luz síncrotron “de quarta geração” no mundo: a máquina sueca MAX IV, inaugurada há cerca de um ano. Já o Sirius será a próxima. Há muitas características que definem uma fonte de luz síncrotron e a geração a que ela pertence, como o seu brilho, por exemplo. Quando for inaugurado, o Sirius será a fonte de luz síncrotron de maior brilho do mundo em sua classe de energia. Além disso, a estrutura brasileira está sendo projetada para ter vida útil mais longa, possibilitando que o País permaneça na liderança mundial dessa tecnologia.

No segundo semestre deste ano deverá ocorrer a primeira volta dos elétrons no acelerador do Sirius. A abertura da nova fonte de luz síncrotron para pesquisadores de todo País e do mundo acontecerá um ano depois, após os ajustes necessários para o funcionamento de uma estrutura desta complexidade. O projeto completo – que inclui o prédio, as três estruturas aceleradoras (acelerador linear, booster e acelerador principal), 13 estações de pesquisa, além de toda mão de obra – demanda investimentos de 1,8 bilhão, a serem executados até 2020. Este valor está sendo financiado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O Projeto também integra o Programa “Agora, é Avançar”, sendo uma das obras de infraestrutura científica contempladas por esse programa do Governo Federal.

Sobre o CNPEM

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) é uma organização social qualificada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e Comunicações (MCTIC). Localizado em Campinas-SP, possui quatro laboratórios referências mundiais e abertos à comunidade científica e empresarial. O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) opera a única fonte de luz Síncrotron da América Latina e está, nesse momento, construindo Sirius, o novo acelerador brasileiro, de quarta geração, para análise dos mais diversos tipos de materiais, orgânicos e inorgânicos; o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) desenvolve pesquisas em áreas de fronteira da Biociência, com foco em biotecnologia e fármacos; o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia de Bioetanol (CTBE) investiga novas tecnologias para a produção de etanol celulósico; e o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) realiza pesquisas com materiais avançados, com grande potencial econômico para o país.

Os quatro Laboratórios têm, ainda, projetos próprios de pesquisa e participam da agenda transversal de investigação coordenada pelo CNPEM, que articula instalações e competências científicas em torno de temas estratégicos.


(Ascom ABC, com informações do CNPEM)



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