Apresentação

Os recursos minerais são imprescindíveis para a nossa vida e extremamente importantes para o desenvolvimento econômico de qualquer Nação. Com o crescimento populacional, a demanda por bens minerais tende sempre a aumentar. Entretanto, o desenvolvimento de projetos no Setor Mineral requer a aplicação de modelos construídos em bases científicas sólidas e tecnologias inovadoras em todas as suas etapas, desde a exploração mineral, à lavra ou explotação e ao beneficiamento. Alem, é claro, de inovações tecnológicas para geração de produtos minerais.

Em relação aos recursos hídricos, “águas superficiais, subterrâneas e reservas de água são componentes estratégicos e essenciais do desenvolvimento econômico, social e de sustentabilidade (...). A disparidade no suprimento de água em relação às regiões, nações e continentes é causa de diferenças na velocidade e no processo de desenvolvimento, gerando conflitos, desigualdades sociais e oportunidades diferentes de saúde adequada, trabalho, renda e educação. Os estudos estratégicos referentes aos recursos hídricos são, portanto, fundamentais para examinar, em profundidade, disponibilidades e demandas de água e as interações entre os processos biogeofísicos envolvidos no ciclo e usos múltiplos de água e o desenvolvimento econômico e social. Esses estudos constituem a base para o estabelecimento de futuras políticas de desenvolvimento e para o planejamento regional e territorial do país”. (Recursos Hídricos no Brasil: Problemas, Desafios e Estratégias para o Futuro / José Galizia Tundisi  (coordenador). – Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Ciências, 2014 p. 1)

O Brasil está entre os seis países mineradores mais destacados, ficando ao lado do Canadá, dos EUA e da Austrália graças à sua grande área territorial associado a uma enorme diversidade de ambientes geológicos. A produção mineral brasileira é responsável por cerca de 4% do PIB e tem apresentado sempre saldo comercial positivo. Isto sem incluir petróleo e gás, que representou 13% do PIB em 2014, porem com saldo comercial negativo. Entretanto, o baixo grau de agregação de valor na cadeia mineração/metalurgia/produto, faz do País um simples exportador de commodities, que são muito sujeitas às variações cíclicas do mercado internacional. Assim, o Brasil precisa passar a ser um País exportador de produtos minerais industrializados e não apenas de commodities e para isso investimentos em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) são uma necessidade e precisam aumentar muito mais no setor mineral. Adicionalmente, a Área Mineral precisa ser incluída na relação dos itens de “Tecnologias críticas ou estratégicas” no documento elaborado pelo MCTI em janeiro de 2016.

No que tange aos recursos hídricos, a implementação da visão do território mineral traz consigo mudanças importantes de paradigmas, com destaque para o papel vivo da água, traduzido como um ambiente e o território mineral em substituição a visão local da cava da mina. Assim, esta nova visão vai permitir que a água utilizada na mineração não seja vista apenas como um produto valioso e indispensável para a indústria da mineração, mas sim como um ambiente formado por uma matriz física e química que suporta e interage com um conjunto riquíssimo de organismos (biota), mantido graças aos processos ecológicos essenciais e formando este ambiente que detém uma qualidade física, química e biológica a que chamamos de biodiversidade e que precisa ser conhecida e preservada.

O território mineral oferece, na prática, uma nova visão da mineração, na medida em que se propõe a antecipar os impactos e não apenas buscar maneiras de remedia-los/mitigá-los, mas integrar o manejo dos recursos hídricos com atividades de pesquisa e desenvolvimento, conciliar a mineração com a conservação dos recursos naturais e adotar o manejo integrado dos recursos hídricos.

Para enfatizar a importância de se planejar ações conjuntas entre as áreas de Recursos Minerais e Recursos Hídricos, transcrevemos as palavras da Acadêmica Virginia Sampaio Teixeira Ciminelli ao apresentar os desafios assumidos pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Recursos Minerais e Biodiversidade – INCT-Acqua, durante um congresso de mineração no Chile em 2011: “A vocação mineral, a riqueza hídrica e a exuberante biodiversidade constituem diferenciais para o desenvolvimento do país e abrem oportunidades que devem nortear iniciativas voltadas à educação, inovação, ao desenvolvimento científico, à integração empresa-sociedade e ao desenvolvimento regional sustentável”.

O Grupo de Estudos sobre Recursos Minerais da ABC, constituído pelos acadêmicos Adolpho Melfi , Aroldo Misi , Diógenes Campos e Umberto Cordani, organizou um simpósio em agosto de 2013 que reuniu pesquisadores, dirigentes de empresas e dirigentes de órgãos federais e estaduais ligados ao Setor Mineral durante dois dias (Simpósio sobre Recursos Minerais no Brasil: problemas e desafios). Como conseqüência dos bons resultados desse evento, decidiu-se organizar a edição e publicação de um livro, que foi lançado em outubro de 2016 (Recursos Minerais do Brasil: Problemas e Desafios, Academia Brasileira de Ciências 2016, 420 p.). A construção do livro contou com um grande número de colaboradores (66), todos profundos conhecedores dos diversos temas ligados ao setor mineral, participantes ou não do mundo acadêmico. O propósito principal foi o de produzir um documento que mostrasse o estado da arte, os problemas e algumas soluções possíveis, destacando-se a importância da CT&I para a área mineral. (/IMG/pdf/doc-7006.pdf).

Com relação à área de Recursos Hídricos, a Academia Brasileira de Ciências publicou em 2014 um livro com contribuições de 20 colaboradores, sob a organização do acadêmico José Galizia Tundisi, com objetivos similares (Recursos Hídricos no Brasil: Problemas, Desafios e Estratégias para o Futuro, Academia Brasileira de Ciências 2014, 76 p.). (/IMG/pdf/doc-5923.pdf).

Estes documentos, com as necessárias atualizações, servirão de base para o trabalho que está sendo elaborado e que constará do documento Um Projeto de Ciência para o Brasil da ABC.

Alguns dos principais temas a serem abordados serão os seguintes:

  • Potencial mineral e hídrico do Brasil e sua importância para o desenvolvimento econômico e social.
  • Formação de pessoal em níveis de graduação, pós-graduação e técnico (nível médio).
  • Interação das áreas mineral e hídrica (empresas privadas e públicas e órgãos governamentais) com o mundo acadêmico (universidades, centros de pesquisa e grupos de pesquisa).
  • Fortalecimento dos centros de tecnologia dos órgãos públicos e dos laboratórios especializados das universidades e centros de pesquisa.
  • Necessidades fundamentais para investimento em CT&I nas áreas mineral e hídrica (temas a serem sugeridos).



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