Mulheres cientistas de várias partes do mundo estão reunidas hoje e amanhã na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), no Rio de Janeiro, para trocar ideias e experiências sobre como comunicar ciência para o público e como se relacionar com jornalistas. Elas estão participando do Fórum Mundial para Mulheres na Ciência – Brasil 2020, promovido pela ABC, que é dividido em dois eventos: nos dois primeiros dias, o workshop Habilidades para Comunicação e Liderança em um Mundo 5G, e nos três dias seguintes, a 4ª Conferência Internacional de Mulheres na Ciência Sem Fronteiras: Energia, Água, Saúde, Agricultura e Meio Ambiente para um Desenvolvimento Sustentável, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

Neste primeiro dia de encontro, além de ouvirem dicas dos palestrantes de como fazer divulgação científica, elas fizeram exercícios práticos e discutiram os resultados. A palestrante italiana Nerina Finetto, especialista em storytelling (construção de histórias) da empresa Traces.Dreams, levantou questões relevantes como a construção de uma boa imagem, a compreensão da linguagem jornalística, o uso de dados nas narrativas, o engajamento de mulheres na ciência, a montagem de um plano de comunicação, a elaboração de pautas e o encaminhamento de boas histórias para jornalistas e para mídias sociais.

Entre os exercícios propostos, ela sugeriu que as participantes escrevessem sobre uma descoberta recente em suas áreas, ou sobre a sua última pesquisa ou sobre o que quisessem. Depois, em pequenos grupos, deveriam escolher uma das histórias para contar às demais, e ouvir o feedback do público e das especialistas presentes sobre aspectos como estrutura, clareza e objetividade do relato. “Não pretendemos que virem jornalistas, mas que entendam o que é necessário para se contar uma boa história”, disse Nerina.

Outro exercício proposto foi fazer as participantes refletirem sobre momentos profissionais de suas vidas em que sentiram algum sentimento intensamente, fosse positivo ou negativo: alegria, realização, frustração, preconceito, medo, coragem, satisfação etc. Para a bióloga Mariana Fioravanti, especialista em mídias sociais da agência Talent Marcel e fundadora da empresa de marketing Supernova, o entusiasmo de todas querendo participar demonstra que estavam à vontade entre mulheres, diferentemente do que costuma ocorrer em eventos que misturam homens e mulheres.

“Percebemos que todas querem falar mais sobre a sua ciência, e agora elas têm pistas de como fazer isso, sabem pensar de que ponto partir”, disse a jornalista científica Meghie Rodrigues. “Não são fórmulas prontas, só sugerimos pontos de partida”, acrescentou Mariana.

Veja fotos do evento e acompanhe a cobertura aqui no site da ABC.

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