No dia 2 de agosto foi realizado o Simpósio e Diplomação dos Novos Membros da ABC – Regional RJ.  Na ocasião, apresentaram suas pesquisas os jovens cientistas eleitos para o período 2019-2023: Augusto Quadros Teixeira (Ciências Matemáticas, IMPA), Diego Campos Knupp (Ciências da Engenharia (UERJ), Gabriel Silveira Denicol (Ciências Físicas, UFF), Renata de Meirelles Santos Pereira (Ciências Biomédicas, UFRJ) e Ricardo Moratelli Mendonça da Rocha (Ciências Biológicas, Fiocruz).

Os dois palestrantes convidados foram o Acadêmico Amilcar Tanuri e o ex-membro afiliado da ABC (período 2008 a 2012) Pierre Mothé Esteves.

Marcelo VianaLuiz Davidovich, Denise Pires de Carvalho e Egberto Gaspar de Moura

A mesa de abertura foi composta pelo presidente da ABC Luiz Davidovich; a reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires de Carvalho; o sub-reitor de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Egberto Gaspar de Moura; e o diretor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e Acadêmico, Marcelo Viana.

Viana cumprimentou o colega empossado do IMPA, Augusto Quadros Teixeira, e elogiou o programa de membros afiliados da Academia: “Um programa inclusivo, muito simpático e importante da ABC”.

Denise Carvalho identificou dentre os novos membros afiliados “vários jovens que conheço dos corredores da UFRJ desde a iniciação cientifica. Ressaltou a importância do apoio a jovens cientistas, como a ABC vem fazendo desde 2007, quando foi instituída a categoria de membro afiliado, para cientistas de excelência de até 40 anos, que ficam afiliados à ABC por cinco anos. Ela reiterou o papel fundamental da Academia nesse momento de cortes orçamentários: “Precisamos garantir que os jovens continuem trabalhando, pesquisando e publicando, para que o país se desenvolva e mantenha sua soberania.”

Egberto Moura fez uma menção especial à nova Acadêmica, Profª Renata Meirelles, “porque a representação das mulheres em lugar de destaque na ciência geralmente não é proporcional à participação delas nas diversas áreas. É preciso estimulá-las e, especialmente, reconhecer sua excelência.” Moura afirmou que a UERJ se sente muito honrada em ter o Prof. Diego Knupp no polo avançado da UERJ, em Friburgo. “Temos que dar nossa contribuição para a ciência nacional nesse momento. Em 40 anos de atuação, nunca vi uma situação tão grave. Precisamos continuar trabalhando pelo nosso país.”

O presidente da ABC ressaltou que os simpósios científicos dos membros afiliados são dos momentos mais importantes da instituição. “As grandes ideias vêm dos jovens cientistas. Estamos aqui recebendo o futuro da ciência brasileira. A esperança está em vocês. Para mim é um momento especial, porque no meio desta luta política forte, muitas vezes desagradável, ouvir falar de ciência de alto nível é extremamente gratificante.”

Ele também alertou para a situação que a ciência e a educação estão enfrentando no país. Explicou que a ABC, junto com outas entidades da área de CT&I, vem lutando pelo resgate dos recursos do FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico]. Esses recursos, de acordo com Davidovich, são originados por impostos pagos por empresas, para financiar pesquisa de interesse para elas. “E esse recurso está sendo usado para pagar dívida pública. Isso é desvio de finalidade. O país no momento não tem uma agenda de desenvolvimento”, lamentou. Para reverter esse quadro em algum momento, o presidente da ABC ressaltou a importância de esclarecer a sociedade sobre dados científicos e seu significado. “Contamos muito com vocês, jovens cientistas, para divulgar a ciência brasileira e garantir um futuro para o nosso país.”

O Acadêmico Amilcar Tanuri graduou-se em medicina, fez mestrado em ciências biológicas/ biofísica e doutorado em ciências biológicas/genética, sempre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é consultor da Organização Mundial da Saúde, coordenador da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do RJ, pesquisador associado da Universidade de Columbia, no EUA, consultor do núcleo estadual do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro e professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Embora seu laboratório na UFRJ tenha sido vandalizado na semana anterior, conforme noticiado no Globo, Tanuri afirmou que estava ali para passar uma mensagem otimista para os novos membros afiliados da ABC”: “O equipamento, os laboratórios, são muito importantes, mas o mais importante na ciência são os cérebros. Não desistam da ciência. O país precisa de vocês.”

Falando sobre seu trabalho de pesquisa, falou sobre o vírus zika, “parente” do vírus da dengue, que se espalhou muito rapidamente, causando microcefalia em bebês, principalmente nordestinos. O Acadêmico começou uma parceria com a dra. Adriana Melo, médica de Campina Grande, na Paraíba, que verificou a relação entre zika e microcefalia. De posse do líquido amniótico de bebês contaminados, a equipe de Tanuri fez o sequenciamento para verificar se o vírus estava circulando ali, o que se confirmou. O vírus zika, parecido com o vírus da encefalite japonesa, provocava calcificações no cérebro, causa da microcefalia, e também hidrocefalia e outras síndromes.

Tanuri relatou que, atualmente, há dois grupos pesquisando uma vacina contra o vírus. “Em modelos animais, a vacina funcionou. Agora tem que passar para a fase de testes em humanos”, relatou. Acrescentou, porém, que ainda não há nem um teste de diagnóstico para saber se uma pessoa já foi exposta ao vírus, para saber se ela imune. “Se uma mulher grávida, por exemplo, teve dengue ou febre amarela, pode dar um resultado cruzado. E há casos de transmissão sexual do vírus, então temos que testar o esperma também”, apontou

Ele destaca que arbovirus se propagam para as cidades em função do desmatamento da Amazônia, que não é só um problema ecológico, é um problema médico. “Em Rondônia, perto da Bolívia, há ocorrência de arenavírus, os mais letais para o ser humano.”

O ex-membro afiliado (208-2012) da Regional Rio de Janeiro da ABC Pierre Mothé Esteves saudou os novos afiliados e fez uma apresentação sobre materiais nanoporosos. Professor adjunto do Instituto de Química da UFRJ, Esteves explicou que esses materiais são como “andaimes moleculares feitos de veludo”, o que faz com que as moléculas capturadas sejam soltas de forma mais lenta.

Segundo o cientista, os materiais nanoporosos possibilitam a captura de uma série de poluentes e têm aplicações tecnológicas diversas. A ação desses materiais com os íons, que são responsáveis pela bateria de celular, por exemplo, pode gerar baterias de “altíssimo desempenho”.

Após as apresentações, foi realizada a cerimônia de diplomação, conduzida pela vice-presidente da ABC para a Regional do Rio de Janeiro, Lucia Mendonça Previato, e o presidente Luiz Davidovich. Veja as fotos na galeria abaixo.

Em nome dos novos afiliados da ABC, o biólogo Ricardo Moratelli fez uma saudação e destacou a importância da divulgação e popularização da ciência, diante dos “sérios ataques feitos à credibilidade de nossas instituições e nossos cientistas”.

“Vivemos um momento onde instituições de Estado vêm sendo tratadas como instituições de governo, assuntos de agenda nacional e internacional vêm sendo tratados com total descaso e sem qualquer embasamento técnico”, afirmou o pesquisador.“Não há mais espaço para uma ciência desconectada da sociedade. Precisamos fazer a sociedade saber do impacto da ciência em nossas vidas cotidianas”, declarou o Acadêmico.

Conheça os novos membros nas matérias abaixo.

Buscando respostas para fenômenos físicos por meio dos números
Novo membro afiliado da ABC, o físico Augusto Quadros Teixeira atua no IMPA investigando o campo da mecânica estatística.

Calculando o comportamento da natureza
Novo membro afiliado da ABC, o professor da Uerj Diego Knupp trabalha a modelagem computacional para a aplicação na engenharia.

Compreendendo as novas fases da matéria nuclear
Professor da UFF, o novo membro afiliado da ABC Gabriel Silveira Denicol atua na área da física nuclear relativística.

Investigando as moléculas na proteção do organismo
Professora da UFRJ e nova afiliada da ABC, Renata Pereira investiga os mecanismos moleculares que regulam a diferenciação de um grupo de células do sistema imune na proteção do organismo.

Modelando a rede de diversidade da natureza
Pesquisador da Fiocruz, o novo membro afiliado da ABC Ricardo Moratelli Mendonça da Rocha é zoólogo e tem pesquisado ao longo de sua carreira a diversidade de morcegos neotropicais.

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