Os jornalistas Ana Carolina Leonardi e Renato Grandelle.

A palestra que deu início às atividades sobre comunicação científica no 4º Encontro Nacional de Membros Afiliados da Academia Brasileira de Ciências (ABC) não foi realizada por cientistas, mas sim por dois jornalistas que trouxeram uma mensagem: nós viemos em paz!

O evento, que aconteceu em Fortaleza, Ceará, entre os dias 24 e 26 de junho, contou com a participação dos jornalistas Renato Grandelle, do jornal O Globo, e Ana Carolina Leonardi, da Revista Superinteressante, no dia 25. Trazendo a perspectiva de quem media, em grande parte, a relação entre o público e os pesquisadores, Grandelle e Leonardi abordaram os desafios da comunicação entre jornalistas e cientistas.

“A sociedade pós-moderna vive uma crise de verdade, com essa onda de fake news. As ações das pessoas não mais motivadas pela mesma base de fatos”, alertou. Por isso, ressaltou o quanto é essencial que jornalistas e cientistas construam uma ponte, onde cada parte caminhe um pouco para comunicar ciência ao público leigo.

Os membros afiliados reunidos com a jornalista Ana Carolina Leonardi, durante a atividade da tarde.

Segundo os jornalistas, os cientistas podem ajudar na divulgação ao contextualizar a pesquisa que realizam em um meio mais amplo. “Eles são os únicos que conhecem o limite exato entre o que é popular com o que é informação errada”, apontou, ressaltando que devem sim tirar proveito do popular para divulgar seu trabalho e, consequentemente, levar ao público leigo informação científica de qualidade.

Outra dica valiosa é se mostrar disponível para contato e entrevistas nas assessorias de comunicação (Ascoms) das universidades em que trabalham. Frequentemente é por meio das assessorias que os jornalistas irão buscar uma fonte para falar sobre determinado assunto e é de grande ajuda que a universidade já tenha nomes de referência para estabelecer o contato. Incrementar a relação entre seu grupo de pesquisa e a assessoria de comunicação da sua universidade, portanto, é o primeiro dever de casa que os cientistas participantes do evento anotaram em suas agendas.

Na atividade realizada à tarde, o objetivo foi fazer os cientistas enxergarem a comunicação científica como um modo de contar histórias. Os palestrantes propuseram aos participantes que se dividissem em grupos e escolhessem uma das pesquisas dos membros. O objetivo era identificar os pontos mais fortes do projeto que pudessem ser utilizados na divulgação da pesquisa para o público leigo. Grandelle e Leonardi percorriam os grupos, para dar dicas e ajudar.

Segundo Leonardi, as duas maneiras mais tradicionais de fazer isso são contar a história do cientista ou da própria descoberta, mas o importante é construir uma jornada onde as perguntas vão levando a outras perguntas e os fatos vão se acumulando. Interpretando o papel de jornalista, os cientistas puderam compreender melhor o que se espera deles na divulgação científica e, para as próximas experiências, estarão mais preparados para alinhar suas expectativas com as de assessores de comunicação e jornalistas.

 

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